O outono começou nesta sexta-feira (20) no Espírito Santo com uma mudança no padrão do tempo. Depois de um verão marcado por chuva frequente, a tendência agora é de redução gradual das precipitações e temperaturas ainda elevadas ao longo dos próximos meses.
De acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a estação funciona como um período de transição. Março ainda concentra volumes mais altos de chuva, mas abril e maio já apresentam queda na frequência e na intensidade das precipitações.
No início da estação, as chuvas seguem ocorrendo, principalmente em forma de pancadas entre a tarde e a noite. Com o avanço do outono, esses episódios se tornam mais irregulares e passam a depender mais da atuação de frentes frias.
Chuvas diminuem ao longo dos meses
A redução não ocorre de forma igual em todo o Estado. As regiões Sul e Serrana ainda concentram os maiores volumes, que podem ultrapassar os 400 milímetros no período.
Já no Norte, Nordeste e Noroeste, os acumulados são menores, variando entre 170 e 200 milímetros. Na Grande Vitória, a tendência também é de queda gradual nas chuvas, acompanhando o enfraquecimento das condições típicas do verão.
Temperaturas seguem altas
Mesmo com a mudança de estação, o calor ainda predomina, principalmente em março. Ao longo dos meses, as temperaturas começam a cair, mas de forma gradual. As máximas variam entre 24°C e 32°C, com os maiores registros nas regiões mais baixas, como Norte e Noroeste. Nas áreas serranas e no Caparaó, os termômetros ficam mais amenos, entre 24°C e 27°C. As mínimas podem chegar a 14°C nas regiões de maior altitude. Já no litoral e no Norte, ficam entre 20°C e 22°C.
Déficit hídrico preocupa
Com menos chuva e temperaturas ainda elevadas, o outono marca o início de um período de déficit hídrico em grande parte do Espírito Santo.
Segundo o Incaper, esse cenário é mais acentuado nas regiões Norte, Noroeste e nos vales, onde o déficit pode variar entre 120 e 200 milímetros negativos. Em cidades como Baixo Guandu, Mantenópolis e Ecoporanga, a tendência é de maior impacto.
No Sul e na Região Serrana, a situação é diferente. Nessas áreas, ainda pode haver pequeno excedente hídrico, devido à maior frequência de chuva e temperaturas mais amenas.
Frentes frias e ar seco ganham força
Com a chegada do outono, as frentes frias passam a ter papel mais importante na formação de instabilidades. Esses sistemas também trazem períodos de ar mais seco e podem provocar quedas de temperatura. No litoral, a circulação de brisa marítima ainda favorece episódios isolados de chuva, principalmente no início da estação. Ao mesmo tempo, as pancadas típicas de verão perdem força com a redução do aquecimento ao longo do dia.
Previsão para 2026
Para este ano, a previsão indica chuvas dentro da média histórica no Estado, mas com temperaturas acima do padrão. O cenário climático também aponta para a transição do fenômeno La Niña para condições neutras ao longo do trimestre, o que contribui para a estabilidade gradual do clima.
Impactos no campo
As condições previstas exigem atenção do setor agrícola. Nas regiões Norte e Noroeste, o déficit hídrico pode afetar culturas como café conilon e milho, exigindo manejo mais cuidadoso e, quando possível, uso de irrigação.
Já nas regiões Sul e Serrana, a combinação de chuvas regulares e temperaturas mais amenas tende a favorecer lavouras como café arábica, além de hortaliças e frutas.
A redução da nebulosidade e a maior variação de temperatura ao longo do dia também contribuem para a qualidade de culturas como morango e uva.


