“Piratas do Shopping”: presos suspeitos de furtar R$ 330 mil em joias no ES

Organização criminosa, conhecida como “piratas do shopping”, teria causado prejuízo de cerca de R$ 26 milhões em diversos estados

Escrito por Redação

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Foto: Divulgação/PCES

Integrantes de uma organização criminosa conhecida como “piratas do shopping”, investigada por furtos em joalherias de centros comerciais em todo o país desde 2019, foram presos durante a operação “Integração Total”, deflagrada pela Polícia Civil do Espírito Santo. A ação teve como objetivo cumprir mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão nos estados de Goiás e no Distrito Federal.

Um dos crimes investigados ocorreu no dia 21 de fevereiro deste ano, em uma joalheria localizada em um shopping de Vila Velha. Na ocasião, o estabelecimento foi invadido durante a madrugada e saqueado, assim como uma loja vizinha, causando um prejuízo estimado em R$ 330 mil. Três suspeitos participaram da ação: Kawê Filipe Nascimento Sampaio, de 19 anos; Ingrid Naiara Moraes Araújo, de 28 anos; e um terceiro indivíduo ainda não identificado.

Kawê Filipe Nascimento Sampaio; Ingrid Naiara Moraes Araújo e Amanda Lorena Tavares Xavier | Foto: PCES

A ação do grupo

De acordo com as investigações, os trio entrou no shopping por volta das 21h. Um deles permaneceu na praça de alimentação, enquanto os outros dois se posicionaram em frente à loja vizinha ao alvo, que era a joalheria.

Uma das investigadas, identificada como Ingrid, utilizava um equipamento conhecido como “chapolin”, capaz de clonar o controle remoto utilizado por lojistas para abrir e fechar as portas dos estabelecimentos.

“Toda vez que o lojista vai abrir ou fechar a loja, esses indivíduos se aproximam e tentam decodificar. E, a partir do momento em que conseguem, eles passam a possuir um aparelho que abre e fecha a loja no momento em que quiserem”, explicou o delegado Gabriel Monteiro, chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic).

Segundo o delegado, a suspeita conseguiu clonar o controle no momento do fechamento da loja.

“Quando a loja fecha ou abre, e o funcionário vai até a frente, ela despista e consegue clonar esse equipamento. Às 22h20, ela já havia clonado. O indivíduo que estava na praça de alimentação chega até o local, o outro indivíduo despista o segurança e ela abre uma parte da porta da loja. Esse indivíduo entra com uma mochila na loja ao lado da joalheria. A partir disso, ela fecha novamente a loja”.

Ainda segundo a investigação, um dos criminosos permaneceu escondido dentro do estabelecimento durante toda a noite. Ele furtou objetos da loja vizinha e, posteriormente, as joias. Na manhã seguinte, por volta das 9h30, o grupo deixou o local normalmente, após despistar a segurança, e foi até um hotel.

Suspeitos identificados

Imagens de videomonitoramento permitiram identificar Kawê como um dos envolvidos, realizando o furto dentro das lojas. O delegado explicou que, apesar de o suspeito ter conseguido desligar o sistema de câmeras do local, parte das imagens foi recuperada. “Conseguimos recuperar algumas imagens e, a partir delas, conseguimos identificá-lo”, afirmou. A polícia também conseguiu reconstruir o trajeto dos suspeitos até um hotel, onde se hospedaram usando o nome de uma terceira pessoa, identificada como Amanda Lorena Tavares Xavier, de 24 anos.

Segundo as investigações, Kawê possui diversas passagens por furto. Durante a operação, a companheira dele, Tuani, também foi identificada e apresenta histórico de envolvimento com o mesmo tipo de crime.

Além disso, Amanda teria prestado apoio logístico ao grupo em Goiás, com registros de ligações e movimentações via Pix em seu nome durante o período em que o grupo estava no Espírito Santo.

A polícia representou ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para busca e apreensão na residência de Amanda e de Tuani, além de solicitar a prisão preventiva dele. Os vídeos foram analisados e organizados, permitindo o planejamento de uma operação nos estados de Goiás e do Distrito Federal. Com o apoio da Polícia Militar desses estados, a ação foi executada.

Prisões e apreensões

Durante a operação, os policiais localizaram Amanda em Goiás. Na mesma residência, encontraram Ingrid, companheira de Amanda, que havia participado das ações do grupo em Vila Velha.

“De pronto, os policiais a reconheceram como a mulher que estava com o aparelho que clonou o portão da loja. Quando fomos consultá-la, constatamos que ela possuía dois mandados de prisão em aberto pelo crime de furto qualificado, demonstrando que se trata de uma organização criminosa que atua em todo o território nacional”, continuou o delegado.

Amanda foi encaminhada à delegacia e permaneceu em silêncio. Segundo a polícia, ela vai ser indiciada por dar suporte logístico ao grupo.

Já no Distrito Federal, na casa de Tuani, os policiais encontraram parte dos objetos furtados, que foram reconhecidos pela proprietária da loja. “Ela [Tuani] afirmou que aqueles objetos teriam sido um presente de Kawê. Ela foi autuada em flagrante pelo crime de receptação”, disse o delegado.

Kawê foi localizado após uma força-tarefa também no Distrito Federal. Ele tentou fugir no momento da abordagem. “Ele tentou empreender fuga, caiu do telhado, mas foi preso, sendo cumprido o mandado de prisão”, explicou.

Investigações em andamento

Um terceiro suspeito que aparece nas imagens no shopping ainda não foi identificado. As investigações seguem em andamento, e aparelhos celulares apreendidos serão periciados. Segundo a Polícia Civil, o grupo criminoso causou prejuízo estimado em R$ 26 milhões em diversos estados do país.

O delegado destacou que a prisão de Kawê é considerada estratégica. “É uma prisão muito importante, porque ele era um dos principais membros dessa organização.”

Agora, a polícia também trabalha para identificar os receptadores das joias furtadas.

“Em breve, teremos uma segunda fase dessa operação, o que vai trazer muito mais paz e segurança, tanto para a população quanto para os comerciantes”, concluiu.

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