A possibilidade de a Seleção Iraniana de Futebol não disputar a Copa do Mundo FIFA 2026 ganhou força após uma declaração do ministro do Esporte do país, Ahmad Donyamali. Segundo ele, a equipe masculina não deverá participar do torneio, que será realizado entre junho e julho nos Estados Unidos, México e Canadá.
A declaração foi feita em meio a um cenário de tensão política e militar envolvendo o Irã, que enfrenta ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel nas últimas semanas. Embora ainda não exista uma comunicação oficial à FIFA, a fala do ministro ampliou as especulações sobre uma possível retirada do país do Mundial.
Regulamento prevê decisão da Fifa
O regulamento da Copa do Mundo estabelece que, em caso de desistência ou exclusão de uma seleção classificada, caberá à Fifa decidir como proceder. O artigo 6.7 do documento afirma que a entidade poderá substituir a equipe ausente por outra associação membro, sem determinar previamente quais critérios deverão ser adotados.
Além disso, o regulamento prevê sanções financeiras para federações que desistirem do torneio. Caso a retirada ocorra até 30 dias antes do início da competição, a multa mínima prevista é de 250 mil francos suíços. Se o abandono ocorrer dentro do mês que antecede a abertura do torneio, o valor da penalidade pode dobrar, além da obrigação de ressarcir despesas relacionadas à preparação do evento.
Possíveis substitutos
O Irã garantiu vaga no Mundial após liderar o Grupo A das eliminatórias asiáticas com 23 pontos. Caso a seleção confirme a desistência, algumas equipes podem surgir como candidatas à substituição.
Uma das possibilidades envolve a Seleção Iraquiana de Futebol, que avançou na repescagem asiática e disputará um confronto decisivo contra o vencedor do duelo entre Seleção Boliviana de Futebol e Seleção do Suriname. Outra seleção que acompanha o cenário é a Seleção dos Emirados Árabes Unidos, que aparece como uma das equipes seguintes na classificação continental.
No entanto, como o regulamento não determina uma regra específica para a reposição, a decisão final dependerá exclusivamente da Fifa.
Tentativa de solução diplomática
A entidade máxima do futebol tem buscado conduzir a situação de forma cautelosa, tentando evitar que o conflito político resulte na saída da seleção iraniana do torneio.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou recentemente ter discutido o tema com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Infantino, o governo norte-americano teria reiterado que a equipe iraniana será bem-vinda para disputar a competição.
Apesar disso, as declarações de autoridades iranianas indicam resistência à participação no torneio, especialmente porque a equipe teria partidas programadas em território norte-americano durante a fase de grupos.
Outras tensões envolvendo atletas iranianos
O contexto político também afetou recentemente a Seleção Feminina de Futebol do Irã. Durante a disputa da Copa da Ásia Feminina, realizada na Austrália, algumas jogadoras receberam asilo político no país.
Na estreia da equipe contra a Seleção da Coreia do Sul, atletas iranianas deixaram de cantar o hino nacional, gesto interpretado como protesto contra o governo do país e que gerou acusações de traição por parte de autoridades locais.
Esse episódio aumentou as preocupações dentro da federação iraniana sobre possíveis manifestações políticas durante a Copa do Mundo.
Situação segue indefinida
Apesar das declarações recentes, a Federação de Futebol do Irã ainda não enviou à Fifa um comunicado oficial confirmando a desistência da competição. Enquanto isso, a entidade internacional segue monitorando o cenário político e esportivo, na tentativa de evitar uma saída que poderia alterar a composição do torneio.


