O ex-deputado federal Carlos Manato assinou, nesta quarta-feira (11), a ficha de filiação ao Republicanos, partido do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini. Manato fez a assinatura ao lado do próprio Pazolini e do presidente estadual do Republicanos, o ex-presidente da Assembleia Legislativa Erick Musso, na sede do partido, um escritório na Enseada do Suá.
Na eleição para o Governo do Estado, Manato reafirma seu compromisso de apoiar Pazolini. O compromisso foi assumido pelo ex-deputado em março do ano passado, quando a esposa dele, Soraya Manato, foi nomeada por Pazolini como secretária de Assistência Social de Vitória, cargo ainda exercido por ela. Soraya também entrou no Republicanos, no fim de dezembro.
As filiações já estão formalizadas, mas o casal Manato pretende fazer um evento de filiação no dia 30 de março, na sede da Aspomires, em Bento Ferreira, para mobilizar a militância. No mesmo dia, Soraya se desligará do cargo de secretária municipal, em cumprimento à legislação eleitoral. O prazo de desincompatibilização vai até o dia 4 de abril para secretários que querem ser candidatos. É o caso de Soraya.
Deputada federal por um mandato, de 2019 a 2022 (durante o governo Bolsonaro), Soraya quer voltar à Câmara dos Deputados, na chapa do Republicanos, com o apoio total do marido.
Já o próprio Manato tem um plano mais audacioso. Derrotado por Renato Casagrande (PSB) nas últimas duas eleições a governador, em 2018 e 2022, dessa vez ele deseja concorrer ao Senado. Segundo ele, a pré-candidatura está mantida, com o aval do Republicanos.
“Eles me deram liberdade para eu trabalhar minha pré-candidatura ao Senado. Disseram que posso tentar me viabilizar”, afirma Manato, acrescentando que chega ao Republicanos para ser “um soldado do partido”.
Entretanto, o ex-deputado afirma que não há a menor possibilidade de, nas convenções partidárias (de 20 de julho a 5 de agosto), ele acabar se tornando candidato a deputado federal no lugar de Soraya, para reforçar a chapa do Republicanos. Nessa hipótese, Soraya poderia “descer” para a chapa do partido à Assembleia Legislativa.
“Sem chance. Não existe essa hipótese”, descarta o ex-deputado bolsonarista.
Briga com Magno: “Professor de Deus”
Manato, até hoje, estava filiado ao Partido Liberal (PL). Mas, desde 2023, após sua última derrota eleitoral, ele estava decidido a sair.
Como dito acima, o ex-deputado quer disputar uma das duas vagas da bancada capixaba abertas este ano no Senado. No PL, não teria espaço para isso.
O senador Magno Malta, presidente estadual do PL, faz questão de manter a candidatura da publicitária Maguinha Malta, uma de suas filhas. Além disso, o deputado federal Evair de Melo (PP) tem interesse em migrar para o PL para disputar o mesmo espaço.
Mais importante: Manato está brigado e rompido com Magno. “Ele acha que é professor de Deus. Não tem diálogo com ninguém”, critica o ex-deputado.
O rompimento se deu logo após o revés de Manato nas urnas no 2º turno para governador em 2022. Passa por um desentendimento relacionado a dívidas de campanha e pelo entendimento de Manato de que, mesmo com chances de vitória, ele não teria recebido de Magno o devido apoio, nem financeiro nem político, para derrotar Casagrande naquele pleito.
A dificuldade em se viabilizar
Há muito tempo decidido a sair do PL, Manato passou o ano passado inteiro em busca de outra sigla no campo da direita em que pudesse se acomodar. Mas esbarrou em muitas portas fechadas.
O ex-deputado tentou cavar espaço no Novo, no PP, no PRD… Mas todos já têm outros compromissos. Acabou optando pelo Republicanos, ao qual agora formaliza a filiação.
Ocorre que o Republicanos dificilmente terá candidato, ele ou qualquer outro, a senador, pois, na eleição majoritária, deve concentrar atenção e recursos na candidatura de Pazolini ao Palácio Anchieta, além de usar os espaços para o Senado na chapa para captar aliados.
O fator Arnaldinho
Em acréscimo, a aliança firmada por Pazolini em fevereiro com o prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), reconfigura muito o jogo. Os dois prefeitos devem renunciar no início de abril para se manterem aptos a disputar as eleições.
A princípio, nos termos do pré-acordo costurado por eles, só um dos dois será candidato a governador, com o apoio do outro. Esse outro poderá ser candidato a senador na mesma coligação. Em teoria, Arnaldinho pode ser candidato a governador pelo PSDB, enquanto o próprio Pazolini pode ser candidato a senador pelo Republicanos. Aí Manato “sobra”.
Na atual conjuntura, Manato só deve ser candidato a senador se o Republicanos vier isolado, numa chapa puro-sangue. É difícil.