Ambientalistas do movimento internacional River Planet estão organizando uma nova Descida Ecológica do Rio Doce, prevista para acontecer entre os dias 4 de maio e 5 de junho. A última vez que o rio foi percorrido em toda a sua extensão em uma expedição desse tipo foi em 1998.
Desta vez, além do trajeto tradicional pelo Rio Doce, o grupo também pretende descer o Rio do Carmo, um dos principais formadores da bacia, partindo de Mariana, em Minas Gerais.
Expedição relembra desastre de Mariana
A ideia do grupo é manter viva a memória do rompimento da barragem de rejeitos da Samarco, ocorrido em novembro de 2015, em Mariana. O desastre é considerado o maior da história ambiental do país e provocou uma contaminação sem precedentes em toda a bacia do Rio Doce.
Segundo os organizadores, a expedição busca chamar atenção para a necessidade de recuperação ambiental e fortalecimento das políticas de proteção dos recursos hídricos.
Experiência internacional no Rio Sena
O mesmo grupo realizou, entre agosto e setembro de 2025, a 2ª Descida Ecológica do Rio Sena, na França. A travessia de caiaque durou mais de 20 dias e teve como foco conhecer de perto as estratégias adotadas na recuperação do rio francês.
Durante a expedição, os ambientalistas observaram soluções ligadas ao tratamento de esgoto, gestão de resíduos sólidos e sistemas de drenagem urbana — medidas consideradas fundamentais para a revitalização de bacias hidrográficas.
Em reunião realizada na Assembleia Legislativa na última semana, o ambientalista Fabio Medeiros destacou as diferenças encontradas.
“Nós encontramos um rio vivo e muito bem cuidado e usado pela população. É claro que nós encontramos problemas. Encontramos lixo… Mas não se compara com o que vemos nos rios do Brasil. É um rio que é visto e cuidado como uma opção de lazer para os habitantes”, afirmou.
Comparação entre Brasil e França
O ambientalista Alberto Pêgo também participou da apresentação e afirmou que, em comparação com a última descida realizada no Rio Sena, em 2013, houve melhora na qualidade ambiental.
Segundo ele, embora a legislação francesa de recursos hídricos, criada em 1964, tenha inspirado a brasileira de 1997, os resultados práticos na França são mais efetivos.
“A legislação francesa de recursos hídricos, de 1964, inspirou a brasileira, criada em 1997, mas os resultados práticos obtidos na França são mais consistentes. E nós encontramos um rio que é bem cuidado e bem usado pela população. Além disso, eles têm um sistema de drenagem para armazenamento de água que ajuda muito a região em períodos de seca. É possível investir em recursos similares no estado”, disse.
Pêgo ressaltou ainda que a expedição internacional foi viabilizada com recursos privados.
Autoridades acompanham debate
A reunião na Assembleia contou com a presença do diretor-presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fábio Ahnert, e do secretário em exercício da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seamma), Vitor Ricciardi.
A expectativa é que a nova Descida Ecológica do Rio Doce ajude a ampliar o debate sobre recuperação ambiental, fortalecer políticas públicas e mobilizar a sociedade para a preservação dos rios capixabas.


