
Estão querendo derrubar Meneguelli do skate. Foto: Facebook de Sérgio Meneguelli
De fato foi o que ocorreu
Dentro do Republicanos, as declarações repercutiram muito mal, geraram reações negativas e telefonemas entre os líderes do partido, que buscavam entender o que tinha ocorrido, como proceder daqui para a frente, o que fazer em relação a Meneguelli e as possíveis consequências para sua pré-candidatura ao Senado. Mais que ligações: Roberto Carneiro teve que viajar às pressas a Brasília para tratar da situação pessoalmente com dirigentes nacionais da sigla. Ontem (13), não estava em Vitória. Chegou nesta terça-feira (14). Reservadamente, houve quem opinasse que, se o festival de sincericídios de Meneguelli não chegam a inviabilizar sua candidatura, também não ajudam em nada a consolidar internamente sua candidatura, num momento em que ela é alvo de especulações sobre uma possível “puxada de tapete”. Os dirigentes estaduais podem até ser mais pragmáticos, limitar-se a chamar Meneguelli para uma conversa de alinhamento e buscar contemporizar com o pré-candidato potencialmente bom de votos, apesar de todas as diferenças de mentalidade política. Mas, da parte da cúpula nacional, a avaliação tende a ser outra… E é bom lembrar que, em última instância, o projeto eleitoral de Meneguelli está nas mãos da direção nacional; ou, mais precisamente, do presidente nacional da legenda, o advogado e deputado federal Marcos Pereira, linharense radicado em São Paulo: é ele quem dá a palavra final sobre as candidaturas do Republicanos no Brasil inteiro. Para Marcos Pereira e companhia, pode ser difícil ignorar tamanho desencontro com as ideias conservadoras do partido. Se os posicionamentos de Meneguelli, expressos com tamanha veemência, baterem lá em cima (e bateram), se chegarem ao conhecimento da direção nacional (e chegaram), pode ser que esta se veja impelida a reavaliar a manutenção da candidatura dele, por maior que seja o seu potencial nas urnas. E nunca é demais lembrar: o que partidos em geral priorizam mesmo, em especial os do Centrão, é a eleição de deputados federais, o que lhes garante maior cota no rateio das verbas públicas para custear os partidos e as campanhas, além de mais segundos valiosos na propaganda eleitoral gratuita em emissoras de rádio e TV (concessões públicas). Hoje, para se ter uma ideia, o Republicanos tem um mísero senador, mas, com 43 deputados federais, ostenta a 6ª maior bancada da Câmara. Elegeu 30 em 2018, mas cresceu na última janela partidária. Por ora, sem entrarmos no mérito de seus pontos de vista nem questionar sua densidade eleitoral, fica a certeza de que Meneguelli, na pele de candidato do Republicanos, é como as peças dos trajes dos participantes da Festa do Cafona, uma tradição de sua amada Colatina que sempre teve nele um dos grandes entusiastas: alguma coisa ali não combina.Devanir: “Não queremos outro Contarato”
Número 2 na hierarquia estadual, o secretário-geral do Republicanos Devanir Ferreira, vocaliza o mal-estar gerado no partido pelos posicionamentos de Meneguelli. “Uma repercussão muito negativa. O partido é conservador. Eu queria perguntar a ele: em qual mundo ele estava quando assinou a ficha de filiação? Ele não leu o estatuto? Não leu o manifesto do partido? Com que autonomia ele critica os evangélicos?”, questiona o dirigente partidário. Devanir já presidiu o Republicanos no Espírito Santo. Foi vereador de Vitória de 2013 a 2016 e, desde 2021, é vereador de Vila Velha. Também é pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, atualmente licenciado, devido ao exercício do mandato. Ele prossegue: “Sérgio Meneguelli nunca nos representou. Tenho conversado com minha base, com minha igreja, com pastores que repudiam com veemência as falas de alguém que não nos representa nem na fila do pão. No domingo mesmo, por telefone, manifestei ao Roberto [Carneiro] e ao Erick Musso a minha indignação e o meu repúdio a essas falas. Eles ficaram surpresos com o posicionamento do Meneguelli. Isso nunca foi esperado da parte dele. O partido não mudou seu posicionamento após ele se filiar. É ele quem está mudando o posicionamento após estar filiado. E nós já assistimos a isso uma vez, com o [Fabiano] Contarato. Não queremos outro Contarato.” O vereador, pastor e secretário-geral da sigla diz esperar providências por parte da direção estadual: “A Executiva Estadual do partido deve se reunir para tomar medidas, sim. Estou aguardando quais medidas serão tomadas. Ele não terá meu voto na urna e não terá o meu voto como secretário-geral, naquilo que depender de mim. Não respondo pelo presidente estadual, mas Roberto é conservador, evangélico e cristão. Ele vai seguir o posicionamento e o manifesto do partido. Quanto à direção nacional, deve perguntar ao Serginho o que houve para, no meio do caminho, ele mudar de posicionamento”, antecipa.Erick com Nelson Junior
Sim, coincidências existem, de vez em quando ocorrem, mas o signatário da coluna aprendeu há muito tempo a duvidar inteiramente delas quando se trata de movimentos político-eleitorais. Nesta segunda-feira (13), um dia após a publicação da entrevista de Meneguelli, Erick Musso apareceu em duas (isso mesmo: duas) agendas públicas ao lado de outro pré-candidato ao Senado: o pastor, escritor e palestrante Nelson Junior (este, sim, um “conservador por inteiro”), que busca viabilizar candidatura ao Senado pelo Avante. Ele é o idealizador do movimento “Eu Escolhi Esperar”. A priori, o Avante faz parte da base que vai apoiar a reeleição de Renato Casagrande (PSB). A meta inicial dos estrategistas de Nelson é emplacar o nome dele como candidato do atual governador ao Senado. Mas, como já analisamos aqui, isso será muito difícil na coalizão governista, pois esta já está congestionada de outros pré-candidatos ao Senado querendo a mesma vaga. O primeiro encontro de Erick com Nelson Junior nesta segunda foi na Prefeitura de Vitória, ao lado do prefeito Lorenzo Pazolini (seu aliado no Republicanos) e do presidente da Câmara de Vitória, Davi Esmael (PSD), durante o ato de assinatura de uma lei (outra não coincidência) que agrada muito ao segmento evangélico: o que isenta da cobrança de IPTU templos religiosos que funcionem em imóveis alugados na Capital.
Nelson Junior ao lado de Erick Musso em culto da Igreja Maranata. Foto: Instagram de Nelson Junior