Motoristas da Grande Vitória foram surpreendidos com um aumento no preço dos combustíveis. Em alguns postos, o valor da gasolina, por exemplo, subiu nos últimos dias e já se aproxima de R$ 7 por litro.
De acordo com dados do aplicativo Menor Preço, a gasolina comum chegou a R$ 6,79 em um posto localizado em Coqueiral de Itaparica, em Vila Velha. Já o diesel foi encontrado por R$ 6,99 em um posto em Cariacica. No caso do etanol, o valor chegou a R$ 5,19 em um posto no bairro Carapina, na Serra.
O Procon-ES informou, por meio de nota, que o aumento de preços sem uma justificativa clara, como a elevação dos custos para o fornecedor, pode ser considerado prática abusiva, por representar vantagem excessiva sobre o consumidor.
O órgão está monitorando os preços dos combustíveis para verificar se os postos que aumentaram os valores também tiveram aumento no custo de compra do produto. Caso o consumidor perceba um aumento que considere excessivo, pode registrar uma denúncia pelo canal Denúncia Eletrônica, disponível no site procon.es.gov.br.
A alta nas bombas ocorre em meio às discussões do governo federal sobre medidas para conter o impacto das oscilações do preço do petróleo, intensificadas após a escalada do conflito no Oriente Médio.
Entre as ações anunciadas, o governo decidiu zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel. Além disso, também foi anunciada uma subvenção ao combustível para produtores e a taxação da exportação de petróleo, com o objetivo de aumentar a oferta interna.
Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, as mudanças devem reduzir o preço do diesel em R$ 0,64 por litro nas refinarias. O governo também informou que pretende reforçar a fiscalização sobre os revendedores para garantir que a redução de tributos e o subsídio cheguem ao consumidor final.
O que diz o Sindipostos-ES
Estamos vivendo um cenário de muita instabilidade no mercado de combustíveis em todo o mundo, inclusive no Brasil e no Espírito Santo, causado pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Este é um terreno fértil para especulações e emissões de opinião que muitas vezes são convenientes e fogem completamente à realidade. Cabe, portanto, esclarecer para a sociedade:
– O preço dos combustíveis está sim sendo afetado pela guerra;
– No Brasil, a Petrobrás detém um poder muito grande sobre o mercado, mas cerca de 30% dos combustíveis consumidos aqui é importado;
– Outra parte é produzida por refinarias privadas que, diferentemente da Petrobras, seguem as cotações internacionais;
– Importante registrar que embora não siga as cotações internacionais, a Petrobras realizou um leilão esta semana em que o diesel foi comercializado com ágio de R$ 1,78 por litro sobre o seu preço atual de tabela;
– Os postos não compram da Petrobras, nem das refinarias e muito menos importam combustível;
– Quem compra da Petrobras, das refinarias e importa combustíveis são as distribuidoras que, por sua vez, revendem para os postos;
– Os postos são o último elo da cadeia de combustíveis e sofrem o reflexo de toda ela. São, também, a parte mais visível e próxima do consumidor;
– Por fim, cabe ressaltar que o mercado de combustíveis no Brasil é livre e cada empresa, em cada elo desta cadeia, tem a autonomia para definir seu preço, conforme custos de aquisição e de operação e estratégia concorrencial.
O mercado de combustíveis é extremamente regulado e com muitas particularidades. Por isso, nosso papel é contribuir com a cobertura da imprensa e formação da opinião pública condizente com a realidade.
Guerra EUA x Irã
A guerra no Oriente Médio, envolvendo Irã e Estados Unidos, já começa a gerar reflexos no mercado de combustíveis no Brasil e também no Espírito Santo. Especialistas do setor alertam que, caso o conflito se prolongue, pode haver dificuldades no abastecimento e novos aumentos de preços nas bombas.
Em alguns estados, como o Rio Grande do Sul, o Sindicato dos Postos de Combustíveis tem feito apelo à população para que não faça uma corrida aos postos para evitar que haja um desabastecimento nas bombas.
Outro fator que pressiona o mercado é o movimento de compradores de outros estados em busca de combustível mais barato no Espírito Santo. Há relatos de que revendedores da Bahia e até de Minas Gerais têm buscado abastecer no estado, aproveitando diferenças de preço.


