A estátua do deus Hermes, símbolo do comércio, riqueza e do trabalho, desaparecida da Praça Cecília Monteiro, ao lado do Palácio Anchieta, em 1979, foi reencontrada e será devolvida à cidade de Vitória. A obra foi resgatada pelo projeto “RenovAção”, da Secretaria Municipal de Cultura (Semc).
Esculpida em mármore de Carrara pelos artistas Pedro e Ferdinando Gianordoli em 1912, a obra integrava o conjunto escultórico da escadaria Bárbara Monteiro Lindenberg. Por décadas, a peça foi dada como roubada, deixando apenas o pedestal vazio na praça, quase um símbolo do esquecimento do patrimônio histórico local.
Na verdade, a estátua havia sido deixada em um ateliê para restauro e acabou esquecida por gestões municipais anteriores.
Como a estátua foi encontrada
O historiador Raphael Teixeira, especialista no Centro Histórico de Vitória, iniciou uma investigação quase “detectivesca” em 2018, motivado por uma reportagem. Vasculhando arquivos públicos, memórias e documentos, descobriu que a estátua estava em um quintal de uma casa em Vila Velha, antiga localização do ateliê de um artista.
“Vale a pena perseverar e lutar pelo patrimônio público e pelo Centro da Cidade”, afirmou Raphael, emocionado com a descoberta.
De volta a Vitória
O secretário municipal de Cultura, Edu Henning, celebrou a devolução da estátua como um “divisor de águas” para a memória da cidade:
“Receber de volta essa estátua, após 46 anos de ausência, é mais do que restaurar uma peça de mármore: é restaurar a memória, a identidade e a alma de Vitória.”
Nos próximos dias, a Prefeitura Municipal de Vitória realizará a reinstalação da estátua na Praça Cecília Monteiro, inicialmente preservando as marcas do tempo e a história da peça, antes de iniciar o restauro completo.

De acordo com a administração pública, o projeto RenovAção, lançado em 2025, já investiu cerca de R$ 250 mil na restauração e valorização de monumentos históricos da cidade e pretende recuperar 62 obras até 2026 — número que sobe para 63 com a volta da estátua de Hermes. O investimento total previsto é de aproximadamente R$ 2,5 milhões
Entre os marcos já contemplados estão o monumento a Yemanjá, na orla de Camburi, a estátua de Getúlio Vargas, o monumento às Paneleiras de Goiabeiras, monumento à Grécia e também o ao Ano Internacional da Paz, além de cinco bustos históricos na Praça Costa Pereira.


