A Academia Espírito-santense de Letras (AEL) emitiu nesta quinta-feira (18) nota manifestando “profundo pesar” pelo falecimento do acadêmico Samuel Machado Duarte, ocorrido nessa quarta-feira (17). O escritor tinha 89 anos, era natural de Atílio Vivacqua, exerceu a profissão de dentista, escreveu vários livros e ocupava a cadeira de nº 5 da Academia Espírito-santense de Letras, que tem como patrono Amâncio Pinto Pereira.
Por meio da nota, a Academia Espírito-santense de Letras se solidariza com os familiares e presta sua homenagem a Samuel Machado Duarte, reconhecendo “sua vasta e indelével contribuição para a memória cultural do estado do Espírito Santo”. Segue trecho da nota com breve biografia do acadêmico:
“Em 1947, após ler “O tesouro da Ilha da Trindade”, descobriu, admirado, que o seu autor era capixaba. Nascia uma admiração que viria se transformar em amizade e respeito pela grande figura de Adelpho Monjardim.
Desabrochou, com força, seu pendor literário, incentivado por mestres como Deusdedit Baptista (Inglês), Virgilio Milanez (Português) e Aylton Bermudes (Francês e de Filosofia).
Durante o ano de 1953, aos 19 anos, escreveu o seu primeiro romance, “Meu servo Jó”. Em 1954, fez vestibular para a Faculdade de Odontologia do Espírito Santo, sendo aprovado em primeiro lugar. Nessa época publicou, no Suplemento Literário Dominical de A Gazeta, alguns sonetos e poemas. Em 1964, prestou concurso para o serviço público, tendo sido aprovado e nomeado para o cargo de odontólogo do antigo IAPTEC.
Entre os anos de 1957 e 1960 publicou no jornal O Arauto, de Cachoeiro, algumas centenas de crônicas em uma coluna denominada “Coisas da Cidade”. Publicou diversos livros, entre os quais os romances “Ilha de fim de mar”, “As duas faces de Eros” e “As montanhas da lua”; a coletânea de poemas “O sino submerso”, a obra de contos regionais “Taperas & coivaras” e a novela “Alma de mestre”.
Estudioso da história do Espírito Santo e tupinólogo, Samuel Machado Duarte publicou o ensaio histórico-etimológico “O incalistrado – topônimos capixabas de origem tupi” (2008), pela coleção José Costa, obra que é considerada referência nos estudos sobre a língua tupi-guarani no Espírito Santo.
Era membro efetivo da Academia Cachoeirense de Letras, da Academia Espírito-santense de Letras, da Ordem Nacional dos Escritores e do Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo”.

