crime brutal

Suspeito confessa assassinato de Dante Michelini e diz que agiu por vingança

Segundo a Polícia Civil, crime ocorreu após desentendimento na propriedade da vítima; investigado confessou e indicou onde estava o corpo

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Dante de Brito Michelini | Foto: Reprodução

O assassinato do empresário Dante Michelini, em Guarapari, no Espírito Santo, foi motivado por vingança, segundo a Polícia Civil. O homem, de 29 anos, apontado como autor do crime, confessou ter matado e decapitado a vítima, além de incendiar a propriedade localizada no bairro de Meaípe. O nome dele não foi divulgado.

As informações foram repassadas nesta quarta-feira (11) pelo delegado delegado Fabrício Dutra, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP).

As investigações começaram após o corpo do empresário ser encontrado decapitado no dia 3 de fevereiro. De acordo com o delegado, a região onde o crime ocorreu vinha registrando furtos com invasão de propriedade.

Durante as diligências, a polícia chegou a um suspeito que havia sido preso no dia 28 de janeiro. Contra ele, havia um mandado de prisão em aberto no estado da Bahia por descumprimento de medida protetiva.

Ao ser entrevistado pelos investigadores, o homem apresentava marcas de luta corporal e acabou confessando o crime. Ele também levou os policiais até o local onde o corpo estava. Após exames de papiloscopia, a perícia confirmou que se tratava de Dantinho, que foi investigado pelo assassinato da menina Araceli, em 1973.

Suspeito entrava escondido na propriedade

Segundo a polícia, o crime aconteceu por volta do dia 19 de janeiro. Dias antes, o suspeito estaria cometendo pequenos delitos na região e se escondia dentro da propriedade da vítima, uma área de aproximadamente 51 mil metros quadrados. No terreno, havia casas menores onde ele permanecia escondido.

Ainda conforme o relato à polícia, o suspeito foi encontrado por Dante Michelini dentro do imóvel. Ele afirmou que foi agredido pelo empresário com pauladas e empurrões ao ser expulso do local.

O homem também contou que, após o episódio, passou a ser alvo de chacotas em pontos da região, inclusive em locais conhecidos pelo tráfico de drogas. Segundo ele, ouviu comentários como “você levou uma surra de um ‘Jack’” — termo usado no meio criminoso para se referir a um estuprador.

O crime

De acordo com a Polícia Civil, embora o suspeito não soubesse inicialmente quem era a vítima, ele decidiu retornar à propriedade motivado por vingança.

“Ele foi agredido, coagido e, conforme já exposto, foi alvo de deboche. Ele foi vítima de zombarias na região, porque teria apanhado de uma pessoa que disseram ser estupradora. Isso criou nele uma raiva, que o levou a voltar ao local e executar a vítima com crueldade e extrema violência”, relatou o delegado.

Em depoimento, ele afirmou que voltou ao local e abordou o empresário no momento em que a vítima utilizava uma faca para passar manteiga em um pão. O suspeito disse que tomou a faca e iniciou uma luta corporal com Michelini.

Segundo o delegado, o investigado é mais jovem e praticante de capoeira. “Após a briga, a vítima teve a cabeça decapitada. O que eu posso falar para vocês é: foi um assassinato bem cruel”, explicou o delegado.

Cabeça foi jogada no mar

Ainda de acordo com o depoimento, o homem levou a cabeça da vítima em uma sacola e a jogou no mar, no canal de Guarapari. No entanto, a cabeça flutuou. Em seguida, o autor amarrou um arame e uma pedra ao redor da cabeça e a lançou outra vez ao mar, até que afundasse.

A perícia apontou que Dantinho foi morto com o uso de instrumento perfurocortante. O corpo foi identificado por meio de exames técnicos, e a cabeça encontrado também passará por procedimentos periciais para confirmação oficial.

O suspeito

Segundo a polícia, o suspeito estava preso por descumprimento de medida protetiva e já teve a prisão preventiva decretada pelo homicídio. Há decisão judicial determinando a prisão preventiva.

“É uma pessoa que veio para Guarapari no final do ano, próximo ao Réveillon, como acontece muito na cidade por conta do verão e do afluxo de pessoas. Veio para Guarapari, fazia alguns bicos como guardador de carros, flanelinha. Dormia em um canto, dormia em outro. Comia, pedia comida em restaurantes. Foi se estabelecendo dessa forma. E, pelo fato de ter sofrido aquela violência e ter sido vítima de chacota pelos moradores do bairro, esse é o perfil: a raiva extrema que ele ficou da situação”, informou o delegado.

Ele será autuado por homicídio, ocultação de cadáver, além do crime de incêndio.