Segurança

Quadrilha usava pátio, solventes para adulterar combustível e postos na Grande Vitória

 

O esquema criminoso desmantelado pela Operação Naftalina da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal utiliza desvio de produtos químicos de outros estados para trazer ao Espírito Santo e, então, utilizar para adulterar combustíveis e colocar à venda em postos que também são do esquema. Pelo menos 21 mandados de prisão foram expedidos pela Justiça para serem cumpridos na Grande Vitória, além de outros dois em São Paulo e quatro no Rio de Janeiro.

Veja vídeos da operação no final da matéria.

A polícia identificou que um miliciano do Rio de Janeiro, que está preso, é o chefe do esquema. A organização criminosa vem recebendo irregularmente cargas de álcool hidratado e de nafta solvente de outros Estados para adulteração de combustíveis e vender em postos na Grande Vitória. Os nomes dos postos, no entanto, não foram divulgados pela polícia.

Entenda o esquema

A suspeita da ação criminosa teve início com uma série de abordagens a caminhões tanque feita pela Polícia Rodoviária Federal, que percebeu irregularidades nas notas fiscais de cargas de nafta solvente e álcool hidratado que vinham de outros estados. Havia indícios de uso de empresas fantasmas, de fachada e de emissão de notas fiscais falsas para transportar esses produtos. No início da investigação, a Polícia Federal identificou pessoas e empresas, estruturadas em uma grande organização criminosa que vai da receptação, distribuição e venda de combustíveis adulterados.

“Em síntese, a organização adquiria cargas de nafta solvente e álcool hidratado em outros Estados da Federação e as desviavam para a Grande Vitória. Uma vez aqui, o material era levado até um pátio clandestino em Vila Velha/ES, onde os dois materiais eram misturados e a eles adicionados um corante para dar coloração de gasolina”, diz o comunicado.

O esquema seguia com a distribuição para pelo menos oito postos de combustíveis da quadrilha, situados em sua maioria no município de Cariacica para venda ao consumidor final. Os nomes desses postos não foram divulgados. A polícia explica que os nomes do donos dos caminhões e dos postos são de “laranjas” e foram comprados com dinheiro do crime, tanto dessa venda irregular quanto de outros esquemas.

Foi possível concluir que a organização criminosa desviou um montante de 1.375.352 litros de nafta solvente e cerca de 371.200 litros de álcool hidratado, perfazendo o litro da “gasolina adulterada” o montante aproximado de R$ 3,15.
Considerando os valores atualmente praticados no mercado, em que o litro de gasolina é comprado, em média, por R$ 7,00, estima-se que os criminosos chegavam a lucrar mais de 100% com o esquema investigado, o que permite projetar um lucro com a atividade ilegal de mais de R$ 6.000.000,00.

A operação

O nome escolhido é uma alusão à mistura fraudulenta de combustível realizada pelos criminosos com a utilização da nafta solvente, uma naftalina.