mais um crime

Policial preso por agressão é investigado por chefiar grupo de furto de motos no ES

Buscas foram feitas em seis bairros da Serra nesta quinta-feira (5); policial está preso no Quartel do Comando-Geral da PM

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Foto: Divulgação PCES

O soldado da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES) Marcelo Ramos Araújo, de 32 anos, preso no dia 21 de fevereiro após agredir a esposa em Vitória, agora é alvo de uma nova investigação. Segundo a Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), ele é suspeito de chefiar um esquema de furto e roubo de motocicletas na Serra. Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (5) mira o suposto grupo e cumpre seis mandados de busca e apreensão em bairros do município.

Os mandados judiciais foram expedidos após desdobramentos de uma investigação iniciada em 2024, a partir da prisão em flagrante de um jovem de 18 anos suspeito de receptação. Após a extração de dados de dispositivos eletrônicos, os investigadores identificaram indícios de que ele integrava uma organização criminosa voltada ao furto de motocicletas na Serra, que seria supostamente liderada pelo policial.

Marcelo Ramos Araújo segue preso.

De acordo com a Polícia Civil, as buscas foram realizadas em endereços nos bairros Barcelona, Porto Canoa, Enseada de Jacaraípe, Laranjeiras e Praia de Capuba.

A operação foi batizada de “Mácula”, termo que significa mancha ou desonra. Segundo os investigadores, o nome faz referência à conduta de agentes que, ao se envolverem em práticas ilegais, acabam comprometendo a imagem das instituições de segurança pública.

A Polícia Civil informou que detalhes da operação devem ser divulgados ao longo do dia.

Agressão de policial foi registrada em vídeo

A prisão do soldado ocorreu na noite de 21 de fevereiro, após um episódio de agressão contra a companheira, também integrante da corporação, no estacionamento de um supermercado no bairro Jardim Camburi.

A agressão foi registrada em vídeo. Nas imagens, a vítima, de 26 anos, aparece sendo puxada pelas pernas para fora de um carro. Ela cai de costas no chão e, em seguida, recebe um tapa no rosto. Pessoas que estavam próximas tentam intervir para conter o policial, que permanece alterado.

Segundo o boletim de ocorrência registrado na época, a Polícia Militar foi acionada e precisou pedir reforço para controlar o soldado, que apresentava comportamento agressivo e resistência à abordagem.

Mesmo com a chegada de outros policiais, Marcelo teria desferido socos contra militares de serviço e quebrado os óculos de um deles. Para contê-lo, foi necessário o uso de bastão e spray de pimenta. Ainda de acordo com o registro, ele também teria xingado colegas de farda e feito ameaças.

Após resistência, foi dada voz de prisão ao soldado, que foi conduzido à delegacia regional de Vitória no compartimento de segurança da viatura e algemado.

Em depoimento, a mulher relatou que o companheiro estava afastado dela e que havia tentado contato diversas vezes sem sucesso. Quando se reencontraram, ele a retirou de forma brusca do veículo e passou a agredi-la.

A vítima afirmou ainda que as agressões e ameaças seriam frequentes. Segundo o relato, o soldado exerceria controle sobre a vida financeira dela mediante ameaças de morte ou de causar lesões permanentes. Ele teria dito que atiraria contra a mão e o joelho da companheira, com o objetivo de deixá-la aleijada.

As ameaças, conforme o boletim, teriam sido comprovadas por meio de mensagens enviadas pelo aplicativo WhatsApp. Após o episódio, a mulher solicitou medida protetiva com base na Lei Maria da Penha.

Marcelo Ramos Araújo foi autuado em flagrante por lesão corporal, injúria e ameaça, enquadradas na Lei Maria da Penha, além de ameaça, resistência e desacato.

Depois dos procedimentos na delegacia, ele foi encaminhado ao presídio militar localizado no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, no bairro Maruípe, onde permanece detido.

A reportagem tenta contato com a defesa do policial. O espaço segue aberto para manifestação.