PM que matou duas mulheres em Cariacica já respondia por morte

Militar estava de serviço, abandonou o posto e já respondia a processo por morte registrada em 2002

Escrito por Redação

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Foto: Reprodução / TV SIM SBT

O policial militar que matou duas mulheres a tiros em Cariacica, na manhã desta quarta-feira (8), já era investigado por outro caso de morte e respondia a um processo desde 2002. A informação foi confirmada pelo comandante-geral da PM, coronel Ríodo Rubim.

Segundo o comandante, o policial já tinha histórico de envolvimento em uma ocorrência com morte e, por isso, atuava em função interna, fora do policiamento de rua, permanecendo em serviço de guarda. Rubim afirmou ainda que o militar abandonou o posto antes do crime ocorrido nesta quarta-feira, o que também será apurado, destacando que essa conduta já configura crime por si só. Ele informou que, após os disparos, o policial se apresentou, colocou a arma no chão e foi conduzido para a lavratura do flagrante, em uma ocorrência classificada como complexa e ainda em apuração.

O crime ocorreu no bairro Cruzeiro do Sul, após uma briga entre vizinhas que, segundo relatos, durava cerca de 10 meses. A ex-companheira do policial afirmou que os conflitos eram frequentes e vinham se intensificando, envolvendo desentendimentos de convivência. “Elas vêm me testando, me provocando. Falando que se eu quero morar em outro lugar, é para eu sair daqui, porque a casa não é minha, que a casa é delas, e tudo por causa de um ar-condicionado”, disse.

De acordo com a mulher, a situação se agravou na manhã desta quarta-feira (8), após novas ofensas. Ela relatou que o filho, de oito anos, que é autista, também foi alvo de comentários. “Xingaram ele e falaram que ele não era autista porque estava jogando bola até altas horas da noite”, afirmou.

Após o episódio, ela desceu até a rua com uma faca e acabou sendo agredida pelas vizinhas. Segundo o relato, foi empurrada contra o muro, teve o cabelo puxado e a unha quebrada. A briga só foi interrompida por outra moradora.

Polícia foi acionada e tiros ocorreram

A mulher contou que ligou para o ex-companheiro, que estava de serviço, pedindo ajuda. “Eu falei que precisava de duas viaturas porque elas estavam me agredindo e agrediram o nosso filho. Ele veio, chegou com duas viaturas”, relatou.

Segundo ela, os disparos aconteceram quando uma das mulheres avançou em direção ao policial, relatando que não soube exatamente o que ocorreu, apenas viu a vítima indo para cima dele e, em seguida, o policial sacando a arma e atirando, em uma ação que, segundo afirmou, aconteceu rapidamente.

Moradores relataram ter ouvido mais de dez tiros. Uma das vítimas morreu no local. A outra chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu no hospital.

Apuração em andamento

O caso será investigado em duas frentes. Além do flagrante encaminhado à Justiça, será instaurado um inquérito policial militar para apurar a conduta do agente.

O comandante afirmou que a atitude não representa a instituição, ao destacar que a conduta do policial não reflete a da Polícia Militar e que o caso será apurado com rigor.

Ríodo Rubim explicou ainda que, como o policial estava em serviço, a apuração inicial ocorre na esfera militar, mas ressaltou que, dependendo da evolução do caso e da natureza do crime, a investigação pode ser encaminhada à Justiça comum.

A ocorrência segue em investigação no Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa.

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