Segurança
PF prende empresário e 2 servidores no AP por fraude na merenda e obra de Estádio
Escrito por Agência Estadão em 27 de abril de 2022
Dois servidores da prefeitura de Porto Grande, município de 16 mil habitantes na região metropolitana de Macapá, foram presos temporariamente nesta quarta-feira, 27, pela Polícia Federal (PF).
A PF abriu duas operações, batizadas de Confidere e Stadio, para aprofundar investigações sobre suspeitas de fraudes na compra de merenda escolar e na construção do Estádio Charles Brito.
Os policiais federais cumpriram 12 mandados de busca e apreensão e um mandado prisão preventiva de um empresário. A Justiça Federal também autorizou o sequestro de bens dos investigados e suspendeu o funcionamento de duas empresas nos municípios de Porto Grande, Santana e Macapá.
Merendas
A investigação sobre a licitação para compra de merenda é um desdobramento do material apreendido na Operação Apocalipse, aberta em julho de 2019 pelo Ministério Público do Amapá. Na ocasião, cinco pessoas foram presas, incluindo um assessor do prefeito Bessa (PDT). A PF entrou no caso porque teriam sido encontrados indícios de desvios de verbas federais.
“Com a investigação da Polícia Federal, foi identificado um direcionamento de licitações e superfaturamento de contratos de merenda escolar com desvio de recursos públicos e geração de enriquecimento indevido para empresários e servidores públicos. O ajuste, no caso da merenda escolar, ocorreu entre um servidor público municipal e um empresário, que teve a contratação de sua empresa efetivada para o fornecimento de alimentação, mesmo ofertando a proposta de maior valor que os demais concorrentes”, informa a Polícia Federal.
De acordo com a PF, o superfaturamento no contrato foi de 28%, o que segundo os cálculos dos investigadores chega a R$ 300 mil. Os policiais federais também trabalham com a hipótese de que a empresa contratada tenha sido montada para fraudar licitações. O material comprado, segundo a Polícia Federal, não foi entregue na quantidade contratada.
“Em determinado mês a empresa forneceu 3.156 unidades de óleo de soja, o que levaria pelo menos 84 meses para serem consumidos, não justificando sequer o estoque, tendo em vista a validade do produto, gerando indícios de que houve a confecção de notas fiscais fraudulentas, apenas para gerar pagamentos e desvios”, explica a PF.
Investigadores suspeitam que licitação para construção do Estádio Charles Brito tenha sido direcionada. Foto: Reprodução/Prefeitura de Porto Grande
Construção do Estádio Charles Brito
A PF também afirma ter encontrado indícios de direcionamento da licitação para construção do Estádio Charles Brito. A obra foi custeada com verbas do Programa Calha Norte, convênio do governo federal vinculado ao Ministério da Defesa para projetos de infraestrutura. O contrato foi de aproximadamente R$ 750 mil.
A empresa contratada terceirizou a execução da obra e repassou R$ 510 mil. “De forma que a firma vencedora da licitação recebeu livre de qualquer custo a quantia de R$ 240 mil”, diz a PF.
Os investigados poderão responder pelos crimes de fraude à licitação, corrupção ativa e passiva e organização criminosa. Se condenados, poderão cumprir pena de até 28 anos de reclusão.
COM A PALAVRA, A PREFEITURA DE PORTO GRANDE
A reportagem entrou em contato com a prefeitura e ainda aguardava resposta até a publicação desta matéria. O espaço está aberto para manifestação.