O pai da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, assassinada na madrugada desta segunda-feira (23), relatou que acordou com o barulho dos disparos dentro da casa onde morava com a filha. Segundo Carlos Roberto, que dormia em um quarto ao lado, o crime aconteceu de forma repentina.
“Eu ouvi uns três disparos, abri minha porta e vi ele correndo pra cá (cozinha) aí fiquei na minha e falei ‘acho que ele já foi embora', mas depois vi que tinha uma escada perto do toldo, quando vim na cozinha para guardar a escada estava ele no chão, se matou perto da geladeira”, contou.
O pai disse ainda que, ao entrar no quarto da filha, já a encontrou sem vida. “Ele já tinha matado ela”, lamentou.
De acordo com o relato dele, o relacionamento de Dayse com o ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego de Souza, era conturbado. Mesmo sem compartilhar detalhes frequentes com a família, a comandante teria mencionado episódios recentes de ameaça.
“Antes de ontem que ela me contou que ela ligou pra mãe dele, dizendo que ele falou que iria matá-la. Ele ameaçou, a mãe dele está de testemunha, ela falou que a mãe dele ia hoje na superintendência da PRF para denunciar ele”, contou.
Por sorte, a filha de Dayse, de sete anos, – fruto de um relacionamento anterior – não estava na residência no momento do crime.

Feminicídio interrompe sequência histórica
O assassinato da comandante interrompeu um período de mais de 600 dias sem registros de feminicídio em Vitória. O caso gerou forte comoção e reacendeu o alerta sobre a violência contra a mulher, mesmo após um longo intervalo sem ocorrências desse tipo.
Primeira mulher a comandar a Guarda Municipal da capital, Dayse foi morta dentro de casa pelo ex-namorado. Segundo a polícia, há indícios de que o crime foi premeditado.
A perícia encontrou sinais de arrombamento na porta do quarto. A vítima foi localizada caída no chão, com marcas de tiros na nuca. Cinco projéteis foram recolhidos no local.
As investigações apontam que o suspeito utilizou uma escada para acessar o imóvel e levava ferramentas como alicate, chave de corte, álcool e faca, o que reforça a hipótese de planejamento.
Após cometer o crime, ele tirou a própria vida na cozinha da residência.
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Luto oficial
Em nota, a Prefeitura de Vitória lamentou a morte da comandante e destacou sua trajetória no serviço público.
“Sua partida deixa um legado de respeito, força e compromisso com o serviço público”, informou.
A administração municipal decretou luto oficial de três dias e manifestou solidariedade aos familiares, amigos e integrantes da Guarda Municipal.


