Morte de comandante da Guarda de Vitória repercute no país

Ela foi assassinada na madrugada da última segunda-feira (24) pelo ex-namorado

Escrito por Josue de Oliveira

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Comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa
Comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa. Foto: Reprodução/Instagram

A morte da comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Mattos, ganhou repercussão nacional e provocou forte comoção dentro e fora do Espírito Santo. O caso ultrapassou as mídias do estado e foi destaque em alguns dos principais veículos de imprensa do país. Ela foi assassinada na madrugada da última segunda-feira (24) pelo ex-namorado, o Policial Rodoviário Federal (PRF) Diego Oliveira de Souza que se matou em seguida após o crime.

Portais como SBT News, Metrópoles, Estadão, Agência Brasil, CNN e Carta Capital repercutiram a morte da comandante, destacando a trajetória dela na segurança pública e o impacto da perda para a corporação e para a capital capixaba. Dayse foi a primeira mulher a ocupar o posto de comando da Guarda Municipal de Vitória. A cidade estava há 650 dias sem feminicídio.

Além da cobertura nacional, o caso também mobilizou intensamente as redes sociais. Publicações sobre a morte de Dayse reuniram milhares de interações. Em uma delas, no perfil “Alfinetei”, o conteúdo ultrapassou 3,3 mil comentários e mais de 5,8 mil compartilhamentos, evidenciando o alcance da notícia e a comoção do público.

Mensagens de pesar, homenagens e relatos pessoais dominaram os comentários. Internautas destacaram o legado deixado pela comandante e a forma como ela conduzia a corporação, sempre associada à liderança e ao cuidado com as pessoas.

Investigação

O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que matou a tiros a comandante da Guarda de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, e se matou em seguida, respondia a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na corporação por importunação sexual.

De acordo com a PRF, o PAD foi iniciado assim que a polícia tomou conhecimento do fato, em meados de 2025, e está nos procedimentos finais de apuração. A expectativa era de que o policial fosse demitido, conforme prevê o trâmite nesse tipo de caso.

Segundo relatos, Diego era investigado por tentar estuprar uma colega de farda e só parou após a mulher conseguir se desvencilhar dele, alertando que aquilo seria um estupro. Porém, mesmo assim, ele continuou questionando porque ela não queria se relacionar com ele.

Segundo a delegada Raffaella Aguiar, após Diego assassinar a comandante Dayse, pessoas comentaram que ele era um homem ciumento, possessivo e extremamente controlador.

Relatos de familiares apontam que Dayse vinha sendo perseguida pelo ex-namorado, que não aceitava o fim do relacionamento, descrito como conturbado. Apesar disso, não houve registro formal da situação, e o caso nunca chegou a ser investigado.

Crime brutal

De acordo com as investigações, o ex-namorado pulou o muro do imóvel, que pertence ao pai da vítima, com o auxílio de uma escada. Após invadir a residência, ele efetuou cinco disparos contra a comandante, que não teve chance de se defender.

A perícia identificou sinais de arrombamento na porta do quarto. Dayse foi encontrada caída no chão, com marcas de tiros na nuca. Cinco projéteis foram recolhidos no local.

Ainda segundo a apuração, o suspeito levava ferramentas como alicate, chave de corte, álcool e faca, além de itens como canivete, carregador de munições e isqueiro, o que reforça a hipótese de que o crime foi planejado.

Após o assassinato, ele tirou a própria vida na cozinha da residência.

Natural de Vitória, Dayse cresceu no bairro Santo Antônio, era formada em Pedagogia e ingressou na Guarda Municipal em 2012. Ao longo da carreira, construiu trajetória voltada à segurança pública e à defesa das mulheres. Suas últimas publicações nas redes sociais tratavam do enfrentamento à violência contra a mulher.

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