maus-tratos
movimentação milionária
Segundo a Polícia Civil, grupo movimentou cerca de R$ 1 milhão em um mês
Escrito por Redação em 04 de março de 2026
Um casal foi preso suspeito de envolvimento em um esquema milionário de fraude com cartões de alimentação no Espírito Santo. Eles foram identificados durante a Operação Onerado, deflagrada pela Polícia Civil, que investiga um grupo especializado em desviar recursos de benefícios destinados a trabalhadores. Os detalhes da operação foram divulgados nesta terça-feira (3).
Os dois suspeitos, um homem e uma mulher, ambos de 43 anos, foram detidos em flagrante em um condomínio de luxo na Serra. No local, os policiais apreenderam quase dois mil cartões de benefícios em nome de terceiros, além de celulares, máquinas de cartão registradas em CNPJs de “laranjas”, cheques, notas promissórias, documentos contábeis e um veículo de luxo.
Segundo as investigações, beneficiários entregavam os cartões de alimentação ao grupo e, a partir disso, eram feitas transações simuladas em maquininhas de cartão para transformar o saldo em dinheiro.
Os suspeitos chegavam a ficar com 40% do valor do saldo dos cartões de benefícios e depois devolviam o restante ao beneficiário em dinheiro em espécie ou Pix.

Os valores também eram repassados a terceiros, incluindo empresas de fora do estado.
A polícia aponta que, em apenas um mês, o grupo teria movimentado cerca de R$ 1 milhão por meio das operações consideradas fraudulentas. O esquema fomentava uma vida de luxo do casal, que tinha até loja física em Vitória, onde as pessoas iam até o local para vender os cartões-alimentação.
A apuração começou após a identificação da atuação de uma funcionária de 38 anos, que trabalhava no setor financeiro de uma empresa da Grande Vitória.
De acordo com a polícia, ela era responsável por recarregar os cartões de benefícios dos funcionários e se aproveitava desse acesso para desviar valores para o cartão que ela mesmo usava. Em 16 meses, ela causou um prejuízo de aproximadamente R$ 200 mil.
A polícia alerta que a venda do cartão alimentação pode configurar crime de estelionato. Além disso, a prática é considerada uma falta grave que pode resultar em demissão por justa causa pelo empregador.
“A partir do momento que você leva seu cartão de benefício pessoal, dado por sua empresa, e você aceita ter esse deságio de 30% a 40%, você pode estar colaborando com uma organização criminosa”, aponta o delegado Vinícius Landeira.
Agora, a Polícia Civil segue analisando o material apreendido para identificar outros possíveis envolvidos e calcular o valor total do prejuízo, que pode ser superior ao inicialmente identificado.