Um delegado da Polícia Civil do Espírito Santo passou a ser investigado após afirmar, em depoimento, que um policial seria “o maior traficante de drogas do estado”. O caso veio à tona após entrevista concedida pelo delegado-geral José Darcy Arruda ao programa Fantástico, exibida neste domingo (29).
Durante a reportagem, foi revelado que a declaração teria sido feita no contexto da operação Turquia, que apura o envolvimento de agentes públicos com o tráfico de drogas. A investigação é conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Espírito Santo e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Espírito Santo, com apoio da Corregedoria da Polícia Civil.
Diante da gravidade do conteúdo, a chefia da Polícia Civil do Espírito Santo determinou a adoção imediata de medidas para esclarecer os fatos. Entre as providências, está o pedido formal ao Ministério Público para acesso completo ao depoimento do delegado citado.
Além disso, a Corregedoria-Geral foi acionada para apurar quais medidas foram tomadas pelo delegado após ele ter conhecimento das suspeitas envolvendo o policial. A principal linha de apuração é entender por que, diante de uma acusação tão grave, não houve encaminhamento imediato ou outras ações formais.
Em nota, Arruda disse que mantém compromisso com a legalidade e afirmou que não compactua com desvios de conduta. Também reforçou que denúncias podem ser feitas de forma anônima por meio do Disque-Denúncia 181.
“Reforçamos que qualquer cidadão que possua informações sobre práticas criminosas envolvendo os investigados pode contribuir com as apurações por meio do Disque-Denúncia 181, com garantia de sigilo absoluto. A Polícia Civil do Espírito Santo reafirma seu compromisso com a legalidade e a integridade institucional, não compactuando com qualquer conduta ilícita, e mantém sua Corregedoria permanentemente à disposição da população para apurar eventuais desvios de conduta”, destacou.
Operação Turquia
A Operação Turquia investiga suspeitas de envolvimento de policiais civis em um esquema ligado ao tráfico de drogas no Espírito Santo. Até o momento, a ação já teve duas fases.
Na primeira, realizada em novembro de 2025, um policial foi preso e outros dois acabaram afastados das atividades. Eles são investigados por suspeita de manipular apreensões feitas em operações e permitir que parte das drogas voltasse a circular entre criminosos. Os três trabalhavam no Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc). A operação foi conduzida pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, com ações em Vitória, Vila Velha e Serra.
Já na segunda fase, deflagrada no dia 18, mais um policial civil foi preso, além de outras cinco pessoas investigadas. De acordo com a Polícia Federal, esse agente já havia sido alvo de medidas anteriores dentro da própria operação.
As investigações começaram após a prisão em flagrante de um dos principais nomes do tráfico na região da Ilha do Príncipe, em fevereiro de 2024. A partir desse caso, surgiram indícios de que o suspeito mantinha ligação com servidores públicos, o que levantou suspeitas sobre possível interferência indevida em ações policiais.
Conforme a Polícia Federal, há indícios de que parte das drogas apreendidas não era incluída nos registros oficiais e acabava sendo desviada. Esse material, segundo as apurações, era repassado novamente a pessoas ligadas à organização criminosa.
Até agora, oito pessoas foram denunciadas à Justiça e passaram a responder como rés no processo, entre elas o traficante apontado como responsável por intermediar o contato com os policiais investigados.


