Ataque que matou criança na Serra foi ordenado de dentro de presídio

Investigação aponta que ataque foi ordenado de dentro de presídio e está ligado à disputa entre facções criminosas na região de Balneário Carapebus

Escrito por Redação

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Foto: Reprodução

A Polícia Civil concluiu o inquérito que apurou a morte da pequena Alice Rodrigues, de 6 anos, ocorrida em agosto de 2025, no bairro Balneário Carapebus, na Serra. A criança foi vítima de um ataque a tiros após o carro da família ser confundido com o veículo de criminosos rivais.

De acordo com as investigações, Alice havia passado o dia na praia com a família e retornava para casa quando o crime aconteceu. Durante a ação, o pai da menina tentou interromper os disparos.

“O pai da criança desembarcou do veículo e pediu, suplicou ali pela vida da criança. Disse que havia uma criança no veículo, que se tratava de uma família, e pediu para que eles parassem de disparar. Eles percebem o erro, cessam os tiros e começam a empreender fuga.”

A apuração aponta que o ataque está relacionado à disputa pelo controle do tráfico de drogas entre as facções Terceiro Comando Puro (TCP) e Primeiro Comando de Vitória (PCV). Segundo a polícia, a ordem para a ação partiu de dentro do sistema prisional.

De acordo com o delegado Paulo Ricardo Gomes, adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, o mandante do crime é Serginho Cauê, integrante do PCV, que está foragido no Rio de Janeiro.

“A ordem do ataque parte de um presídio. De lá sai a informação de que haveria um avanço do TCP nos bairros próximos a Balneário Carapebus. Essa mensagem chega a Serginho Cauê, que determina que o bairro deve ser tomado. É quando entramos na dinâmica dos fatos”, explicou o delegado.

Movimentação

Durante a investigação, a polícia apreendeu cartas que revelam a movimentação da facção criminosa, incluindo ordens diretas para intensificar ataques na região. Em um dos recados, havia a orientação para “explodir” o bairro Balneário Carapebus. Uma das cartas estava em papel timbrado da advogada Marina de Paula, que também foi presa. Além disso, áudios foram interceptados, indicando o planejamento das ações criminosas.

Foto: Divulgação/PCES

As investigações também identificaram que, minutos antes do crime, os envolvidos participaram de uma ligação com duração de cerca de 35 minutos, na qual o ataque foi articulado. O alvo seria um traficante conhecido como “Batata”, ligado ao TCP.

Para executar a ação, os criminosos se esconderam em uma área de mata próxima ao bairro, utilizada como base estratégica.

“Essa base foi fixada em uma região de mata, que favorecia a ocultação em relação às buscas da polícia e também dos inimigos. Eles saem dessa base, naquele domingo à tarde, à procura de um traficante do TCP, que era gerente do tráfico local”, detalhou o delegado.

Segundo a polícia, no mesmo dia, acontecia um festival de pipas no bairro, onde o alvo poderia estar. Os quatro executores circulavam em um Fiat Argo à procura do suspeito, mas não o localizaram. Ao deixarem a região, colidiram com o carro da família de Alice, um Peugeot preto, e confundiram o veículo com o do alvo, um Renault Kwid também preto.

Após a colisão, os criminosos abriram fogo contra o carro da família. Os disparos só cessaram após o pai da criança sair do veículo e implorar para que parassem.

Indiciamentos

Ao todo, 14 pessoas foram indiciadas pelos crimes relacionados à atuação das organizações criminosas na região. Destas, nove estão presas e cinco seguem foragidas. Segundo a polícia, todos continuam sendo monitorados.

Presos:

• Lucas Pinheiro
• Maik Rodrigues
• Marlon Furtado
• Marina de Paula
• Pedro Henrique dos Santos
• Luiz Fernando de Jesus Santos B.
• Bruno Serri Cavalcante
• Arthur Folli Rocha
• Izaque de Oliveira Moreira

Foragidos:

• Sergio Raimundo Soares
• Ryan Alves Cardoso
• Matheus Farias
• Carlos Alberto dos Santos
• Vagner Antonio de Jesus

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