CABEÇA NÃO FOI ENCONTRADA

Caso Dantinho: polícia investiga pessoas que circulavam em sítio do crime

Polícia ouve testemunhas, analisa visitas recentes à propriedade e mantém todas as linhas de apuração abertas no caso Dantinho, encontrado morto em Meaípe.

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Foto: Reprodução / TV GUARAPARI / WIKIPEDIA

A Polícia Científica do Espírito Santo segue procurando a cabeça de Dante de Brito Michelini, conhecido como Dantinho, de 76 anos, quase uma semana após o corpo dele ser encontrado decapitado e carbonizado em um sítio no distrito de Meaípe, em Guarapari. Até o momento, nenhum suspeito foi preso.

De acordo com a Polícia Civil, o corpo foi localizado sem a cabeça e apresentava um corte fino na região do pescoço, o que indica que não se trata de um ferimento grosseiro. A possibilidade de o membro ter sido levado por animal é considerada remota.

Dante Michelini foi um dos acusados, e posteriormente absolvido, do assassinato de Araceli Cabrera Crespo, em 1973, em Vitória — um dos crimes mais chocantes de violência contra crianças no Brasil.

Buscas com cães em terreno isolado

O delegado-geral da Polícia Civil do Espírito Santo, José Darcy Arruda, explicou que as buscas iniciais foram prejudicadas pelas características do local.

“O terreno é extenso, com vegetação fechada e pouca iluminação. Contamos com apoio do Corpo de Bombeiros e de cães farejadores da Polícia Civil. Uma piscina existente no imóvel chegou a ser esvaziada, mas não foram encontrados vestígios da cabeça”, afirmou.

Segundo Arruda, todas as linhas de investigação permanecem abertas. “A vítima vivia de forma bastante reclusa, praticamente isolada, o que dificulta a apuração. Agora o foco é identificar com quem ele se relacionava, quem o viu pela última vez e quais circunstâncias envolvem o crime”, disse.

Perícia aponta possível data da morte

O chefe do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP), delegado Fabrício Dutra, informou que a morte pode ter ocorrido dias antes da localização do corpo.

“De acordo com as informações técnicas da perícia, o óbito pode ter ocorrido entre os dias 13 e 20 de janeiro. A data mais provável é o dia 13, quando houve o último registro de uso do celular da vítima. Já no dia 20, moradores relataram ter visto fumaça na propriedade”, explicou.

O delegado destacou que o intervalo de tempo dificulta a investigação. “Não tivemos uma cena de crime preservada. Existe um lapso grande entre a possível data do homicídio e a comunicação à polícia, o que exige um trabalho ainda mais detalhado”, afirmou.

Pessoas tinham acesso ao imóvel

As investigações também indicam que o sítio era frequentado por outras pessoas antes do crime. Segundo Fabrício Dutra, testemunhas começaram a ser ouvidas.

“Foram identificadas pessoas com acesso eventual ao imóvel, como uma mulher que fazia limpeza periódica e um homem ligado a ela. Também apuramos que corretores de imóveis estiveram recentemente no local, já que a propriedade estaria à venda. A família será intimada para esclarecer essas informações”, disse.

Investigação segue em andamento

Por fim, o delegado reforçou que a investigação continua em ritmo intenso. “Temos equipes em campo realizando novas buscas, policiais ouvindo testemunhas e setores de inteligência atuando de forma integrada. É um caso complexo, mas não existe crime perfeito. Vamos avançar para apresentar respostas à sociedade”, concluiu.