A prática de artes marciais no Espírito Santo tem apresentado crescimento nos últimos anos, com aumento da procura por modalidades como muay thai e jiu-jitsu em academias do estado. Profissionais do setor apontam que o fenômeno está ligado à consolidação das lutas como atividade física regular, além de fatores como maior exposição nas redes sociais, popularização de eventos esportivos e busca por qualidade de vida.
De acordo com Hugo Miranda, dono da academia Vitória Combat Club, o aumento na procura é perceptível. “Não só no Espírito Santo como no Brasil em geral. A arte marcial está em alta. Mas especificamente o muay thai está tendo uma procura muito grande”, afirma. Hugo iniciou no muay thai em 1996, passou a dar aulas em 2002 e se aposentou como lutador profissional em 2019, após conquistar títulos como campeão brasileiro, da Copa Brasil de Muay Thai e do campeonato sul-americano.
Artes marciais passam a integrar rotina de atividade física
Segundo o treinador, uma mudança cultural ajuda a explicar o crescimento das artes marciais no estado. “Antigamente as artes marciais não eram englobadas dentro da atividade física. As pessoas faziam uma atividade e treinavam uma arte marcial à parte, principalmente para defesa pessoal. Hoje, a arte marcial está englobada na atividade física”, explica.
Outros fatores citados por Hugo Miranda incluem a influência das redes sociais, a visibilidade do UFC e a preocupação crescente da população com segurança pessoal.
Público diverso impulsiona procura por aulas
O perfil dos praticantes também se tornou mais amplo. Na academia comandada por Hugo, há alunos a partir dos três anos de idade. “São pessoas que procuram bem-estar, cuidar da saúde e principalmente melhorar o condicionamento físico”, relata.
Além dos benefícios físicos, o treinador destaca os ganhos comportamentais e emocionais. “Reflexo, agilidade, disciplina, foco, fortalecimento muscular e alívio do estresse são alguns dos benefícios. Mas o que mais me impressiona é como o muay thai e as artes marciais aumentam a autoestima, principalmente nas crianças”, afirma.
Jiu-jitsu acompanha crescimento no estado
O aumento da prática também é observado no jiu-jitsu no Espírito Santo. Instrutor da academia Ninho da Águia, em Itapoã, Ygor Rodrigues Veiga, de 23 anos, afirma que a procura pela modalidade tem crescido, especialmente entre iniciantes. “No começo deste mês, seis alunos se inscreveram para as aulas e outros cinco fizeram aula experimental por interesse no jiu-jitsu”, relata.
Faixa roxa e praticante há quatro anos, Ygor já competiu em campeonatos estaduais e no Sul-Americano, somando 18 medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze. Ele destaca que muitos alunos chegam motivados por questões de segurança e estilo de vida. “O aumento da violência faz com que as pessoas procurem se defender. Além disso, o Espírito Santo, principalmente Vila Velha, tem uma cultura esportiva forte, um lifestyle que vem crescendo”, avalia.
Perfil dos novos praticantes de jiu-jitsu
Segundo o instrutor, o público varia bastante em idade. “Temos alunos a partir de 15 anos e também pessoas com mais de 70 anos treinando. A maioria ainda é masculina, mas já tivemos oito mulheres participando das aulas”, afirma.
Ygor destaca que os benefícios da prática vão além do condicionamento físico. “Melhorei a mobilidade, força e condicionamento. Também fiquei mais calmo e desenvolvi mais respeito pelos outros. O tatame ensina muito, não só para o corpo, mas para a mente”, relata.
Espírito Santo como celeiro de atletas
Para Hugo Miranda, o cenário atual permite considerar o Espírito Santo como um polo das artes marciais. “Existem muitas academias no estado e somos um celeiro, uma fábrica de campeões em diversas modalidades”, afirma. Ele acredita que a tendência é de crescimento contínuo. “Se as academias e os profissionais da área se profissionalizarem, vejo um aumento muito significativo no futuro”, projeta.
Ygor também enaltece o estado. “No Espírito Santo, especialmente, em Vila Velha, nós praticamos muito o esporte. É a vida que a gente vive, o lifestyle que a gente escolheu”.


