A decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, marca o início de um novo ciclo na economia brasileira. Na prática, porém, o alívio no bolso do consumidor ainda deve ser gradual, e não imediato, especialmente para quem depende de crédito.
O corte, o primeiro sob a gestão de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central, sinaliza uma mudança de direção na política monetária após um período prolongado de juros elevados. A expectativa do mercado é de novas reduções ao longo dos próximos meses, mas especialistas alertam que o efeito real no dia a dia das pessoas leva tempo.
“Existe uma tendência de queda no custo do crédito, mas ela não acontece de forma automática. Os bancos avaliam risco, inadimplência e outros fatores antes de repassar essa redução ao consumidor”, explica o gerente da agência da Sicredi Serrana da Reta da Penha, Romário Valim.
Crédito vai ficar mais barato?
A resposta é sim, mas aos poucos. Linhas como crédito pessoal, financiamento de veículos e crédito para empresas tendem a sentir os efeitos primeiro. Ainda assim, a redução pode demorar a aparecer de forma significativa nas taxas oferecidas ao cliente final.
“Normalmente, as primeiras mudanças aparecem em produtos ligados ao mercado financeiro e, depois, vão chegando ao consumidor. Por isso, é importante pesquisar antes de contratar qualquer crédito neste momento”, orienta o gerente da agência da Sicredi Serrana da Reta da Penha, Romário Valim.
Já dá para financiar?
Para quem está pensando em financiar um imóvel ou veículo, o momento exige cautela. Apesar do início da queda dos juros, o patamar ainda é considerado alto.
“A tendência é de melhora nas condições de financiamento ao longo do tempo, mas ainda não estamos em um cenário de crédito barato. Avaliar bem a renda, o comprometimento da renda e o planejamento é fundamental antes de assumir uma dívida de longo prazo”, destaca.
É hora de renegociar dívidas?
Para quem está endividado, o cenário começa a abrir uma janela de oportunidade, ainda que tímida.
“Esse pode ser um bom momento para buscar renegociação, principalmente em dívidas com juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial. Com a perspectiva de queda da Selic, as instituições tendem a flexibilizar condições ao longo do tempo”, afirma o gerente da agência da Sicredi Serrana da Reta da Penha, Romário Valim.
A recomendação é priorizar a quitação de dívidas mais caras e evitar contrair novos compromissos sem planejamento.
Quem se beneficia primeiro?
Empresas e investidores costumam sentir os efeitos antes das famílias. Isso porque o crédito para negócios e grandes operações financeiras reage mais rapidamente às mudanças na taxa básica.
No caso das famílias, o impacto é mais lento, mas pode ganhar força com a continuidade dos cortes.
“Se o ciclo de redução dos juros se mantiver, o consumidor deve perceber melhora nas condições de crédito e no custo do dinheiro. Mas é importante manter o equilíbrio financeiro e não se antecipar a um cenário que ainda está em construção”, conclui o gerente da agência da Sicredi Serrana da Reta da Penha, Romário Valim.
Enquanto isso, para o capixaba, a palavra-chave segue sendo cautela. A queda da Selic é um sinal positivo, mas o reflexo no orçamento ainda depende dos próximos capítulos da economia.


