Um esquema estruturado de fraudes de documentos, envolvendo mais de 30 pessoas, entre intermediários e falsificadores está na mira da Polícia Civil no Espírito Santo.
Segundo as investigações, os criminosos falsificavam diversos tipos de documentos, como diplomas de ensino fundamental, médio e de graduação. Além disso, eles vendiam atestados médicos, laudos laboratoriais e receitas — alguns utilizados para justificar faltas em concursos ou para obter benefícios trabalhistas indevidos. E a prática ia além: até comprovantes de crisma eram forjados, vendidos por R$ 25,00.
A operação, chamada de ‘Falsarius', começou no final de 2023, após a identificação de inconsistências em documentos apresentados por candidatos aprovados em processos seletivos de secretarias municipais da Grande Vitória. A partir daí, a polícia descobriu a rede criminosa organizada.
As ações da operação, no último dia 14 de abril, levaram ao cumprimento de 21 mandados de busca e apreensão, com a apreensão de 18 celulares e uma grande quantidade de documentos, incluindo diplomas, laudos e exames médicos adulterados e falsificados.

A rede atuava em quatro cidades da Grande Vitória: Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica. A documentação falsa era usada tanto para acessar cargos públicos quanto para vagas em empresas privadas. De acordo com a polícia, quatro organizações criminosas independentes foram identificadas até o momento, todas com modos de atuação semelhantes, mas sem ligação direta entre si.
Outro ponto grave da apuração é o possível envolvimento de servidores públicos. Em interceptações telefônicas e de conversas no Whatsapp, a polícia flagrou conversas em que os suspeitos negociavam carimbos oficiais, levantando a hipótese de conivência ou colaboração interna em órgãos públicos.
As investigações apontam ainda que muitas vítimas, inclusive médicos, tiveram seus nomes utilizados em receitas e atestados falsos e que tanto o setor público quanto o privado foram prejudicados pelo esquema.
Até o momento, nenhuma prisão foi efetuada. A polícia explica que, nesta fase, o foco está no levantamento de provas e aprofundamento da investigação para garantir futuras responsabilizações. Boa parte da estrutura da organização criminosa já foi descoberta, agora, a investigação avança para rastrear a origem dos documentos, os beneficiários e possíveis colaboradores dentro da administração pública.
As penas pelos crimes investigados, como falsificação de documento público, uso de documento falso e associação criminosa, podem ultrapassar cinco anos de prisão.
A Polícia Civil reforça que denúncias anônimas podem ser feitas pelo Disque-Denúncia 181.



