O ataque às Torres Gêmeas em Nova York, símbolo dos atentados nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, ajudou a moldar uma nova postura da sociedade ocidental.
As palavras “medo” e “desconfiança” passaram a ser protagonistas na rotina dos cidadãos e contribuíram para um exacerbamento do individualismo, dos discursos de ódio e, por outro lado, de uma busca por novos tempos de esperança.
“Até então o conceito de segurança e de conflitos internacionais estava relativamente restrito ao conflito entre estados e exércitos armados. O mundo pós-11 de setembro é marcado pela exposão de uma série de conflitos que não necessariamente são ligados ao embate entre Forças Armadas dos países, mas contra exércitos informais, grupos terroristas, caçadas humanas por conta das políticas de segurança que se estabeleceram”, afirma Alcides Peron, professor de Relações Internacionais da Fecap (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado).
Desde os atentados, que também atingiram o Pentágono, em Washington, e Shanksville, na Pensilvânia, foram mais de 2 trilhões de dólares gastos pelos quatro últimos presidentes norte-americanos: George W. Bush (2001-2009); Barack Obama (2009-2017); Donald Trump (2017-2021) e pelo atual governo de Joe Biden.
Demorou apenas um mês para o governo americano ordenar a invasão do Afeganistão, pela qual retirou do poder o Talibã, que ajudou o grupo Al-Qaeda e abrigou os seus combatentes para a organização dos atentados.
O objetivo dos Estados Unidos era dar mostras de que os radicais não iriam obter êxito em seus objetivos, além proteger os seus cidadãos, buscando uma maior estabilidade e sensação de segurança ao território americano. Mas, em paralelo, havia interesses ligados às grandes empresas de segurança americanas, conforme lembra Peron.
“Não foi só o governo americano que optou pela invasão, grandes empresas no estímulo à guerra participaram da decisão. Os Estados Unidos, desde o início geriram, no Afeganistão, a logística, a manutenção de tropas, a comunicação. Afeganistão e Iraque foram campos de testes de tecnologia e novos sistemas de armas para a guerra ao terror”, observa.
Para ilustrar, o professor cita episódios recentes em que membros do Talibã foram vistos utilizando equipamentos americanos.
“Foi anunciado que, após os EUA saírem do conflito, os talibãs se apropriaram de um conjunto enorme de dados biométricos deixados pelos americanos na região. Seria um erro do ponto de vista econômico dizer que objetivos não foram atingidos. Houve um enorme êxito para os Estados Unidos, boa parte do gasto retornava ao país, porque era direcionado a empresas de segurança, de escolta, mercenários, empresas de logística, telecomunicações, segurança privada, entre outras”, destacou Peron.
Retirada do Afeganistão
Vinte anos depois, no entanto, o que se viu foi a retomada do Talibã ao poder, após, durante esse período, o grupo reorganizar suas estratégias e recuperar a influência em várias regiões.
No último dia 15, as tropas do Talibã retomaram o controle de Cabul. E no dia 31, os americanos deixaram o país, após duas semanas tensas, com o aeroporto interditado e milhares de pessoas tentando fugir.


