Ferraço toma posse e defende diálogo no ES. Veja o discurso

Posse ocorre após renúncia de Casagrande; Ferraço defende diálogo, equilíbrio fiscal e união entre poderes e sociedade

Escrito por Redação

Compartilhe

Posse do Ricardo Ferraço na Assembleia Legislativa
Posse do Ricardo Ferraço na Assembleia Legislativa. Foto: Josué de Oliveira

Em uma sessão solene, com plenário lotado, Ricardo Ferraço tomou posse oficialmente como governador do Espírito Santo na tarde desta quinta-feira (2). A cerimônia contou com a presença de diversas autoridades dos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo.

Ferraço tomou posse após o ex-governador Renato Casagrande renunciar ao mandato para disputar uma vaga no Senado nas próximas eleições.

Em seu discurso, Ferraço destacou a importância do diálogo entre o governo e a sociedade, os políticos e o setor produtivo.

Ferraço também ressaltou o legado de Renato Casagrande ao longo dos anos, a relação republicana e o equilíbrio das contas públicas. Destacou ainda que as divergências políticas não podem se sobrepor aos interesses da população.

“Quando aquilo que nos separa perde força, não é por acaso. É resultado de uma atuação consistente, baseada na confiança, no respeito mútuo e na disposição permanente para o diálogo, nunca na ‘carteirada’ e jamais no ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’.”

Após a sessão na Assembleia, o governador Ricardo Ferraço seguiu para o Palácio Anchieta, no Centro, onde passa em revista à tropa e recebe a faixa do ex-governador Casagrande.

Posse do Ricardo Ferraço na Assembleia Legislativa
Posse do Ricardo Ferraço na Assembleia Legislativa. Foto: Josué de Oliveira

Veja o discurso na íntegra

O grande cronista brasileiro, capixaba e cachoeirense Rubem Braga não era exatamente um escritor que tratava de política em suas crônicas. Na verdade, elas eram dedicadas à revelação do extraordinário no dia a dia das pessoas.

Em geral, ele partia de cenas simples, como uma rua, um pássaro, uma lembrança ou uma conversa banal, para alcançar algo mais profundo, a experiência humana em sua dimensão mais íntima.

Rubem Braga escrevia sobre o cotidiano, sobre o que há de humano, invisível e permanente dentro dele.

Em uma de suas crônicas, “Os Trovões de Antigamente”, ao relembrar a infância em Cachoeiro de Itapemirim, ele mostra como, diante das forças da natureza e das incertezas da vida, as pessoas se aproximam, compartilham o medo e constroem um sentido de comunidade.

Essa percepção, embora nascida da memória e da experiência pessoal, revela algo mais amplo. Há circunstâncias em que aquilo que nos separa perde força, e o que nos une se torna mais evidente.

Há momentos, como nos sugere a sensibilidade de Rubem Braga, em que aquilo que nos separa simplesmente falha.

E é precisamente nesses momentos que a política cumpre o seu papel mais elevado, não quando elimina divergências, mas quando impede que elas se tornem barreiras intransponíveis.

A atuação política orientada por esse princípio não ignora diferenças. Ao contrário, reconhece sua legitimidade, mas afirma que elas não podem se sobrepor à necessidade de coordenação institucional e de convivência democrática.

Quando aquilo que nos separa perde força, não é por acaso. É resultado de uma atuação consistente, baseada na confiança, no respeito mútuo e na disposição permanente para o diálogo, nunca na “carteirada” e jamais no “manda quem pode, obedece quem tem juízo”.

É nesse terreno, no diálogo e no respeito, que se viabiliza a cooperação entre os Poderes e se constrói uma relação produtiva com diferentes forças políticas e setores da sociedade.

Mais do que um episódio, essa convergência deve ser entendida como princípio. A política que funciona é aquela capaz de reduzir distâncias sem eliminar diferenças, criando as condições para decisões compartilhadas e para a estabilidade institucional.

Isso se traduz de diversas formas e começa pela compreensão correta da relação entre os três Poderes, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário.

Cada um deles exerce uma função essencial para a sociedade. São diferentes em suas atribuições, mas igualmente fundamentais na construção de um Estado que funcione, que entregue resultados e que respeite a cidadania.

Não há hierarquia entre Poderes. Há equilíbrio. E, mais do que isso, há interdependência.

O Executivo é onde as políticas públicas se concretizam. O Legislativo é a expressão da pluralidade da sociedade. E o Judiciário é a garantia de que as regras serão respeitadas e os direitos preservados.

Quando cada Poder cumpre plenamente o seu papel, com respeito aos demais, o resultado não é apenas o funcionamento das instituições. É a geração de confiança, entre os próprios Poderes e, sobretudo, na sociedade.

A harmonia entre os Poderes constituídos não significa ausência de divergências. Ao contrário, pressupõe a existência delas, mas exige que sejam conduzidas com maturidade, responsabilidade e compromisso público.

Essa mesma lógica se projeta de forma ainda mais concreta na relação com os municípios.

É ali, no território, que as políticas públicas se realizam plenamente, onde o Estado encontra a vida real das pessoas, suas necessidades e suas expectativas.

Por isso, a relação com os nossos 78 municípios não pode ser circunstancial, nem condicionada a eventuais diferenças políticas. Deve ser permanente, republicana e orientada por resultados.

O Governo do Estado investe fortemente em todos os municípios. São obras, serviços e entregas que chegam na ponta, transformam realidades e ampliam a capacidade de ação das administrações locais.

Mas, mais importante que o volume de recursos, é a qualidade dessa relação, com diálogo, cooperação e respeito institucional para alinhar prioridades, acelerar soluções e evitar desperdícios.

Quando Estado e municípios atuam de forma integrada, as políticas públicas ganham escala, eficiência e efetividade. Deixam de ser fragmentadas e passam a produzir resultados mais amplos e duradouros.

É assim que aquilo que poderia nos separar, como diferenças políticas, visões distintas ou disputas locais, perde relevância diante de um objetivo maior, entregar mais e melhor para a população capixaba.

Essa mesma diretriz se estende à relação com o setor produtivo.

O desenvolvimento não acontece por acaso. Ele depende de um ambiente de confiança, previsibilidade e diálogo permanente entre o poder público e aqueles que empreendem, investem, produzem e geram oportunidades e empregos.

O papel do Estado não é substituir a iniciativa privada, mas criar as condições para que ela floresça, com segurança jurídica, regras claras e capacidade de resposta.

No Espírito Santo, essa construção tem sido feita com base em uma relação madura e responsável com o setor produtivo, um diálogo contínuo que permite enfrentar desafios, destravar projetos e aproveitar oportunidades.

É essa interação que sustenta a atração de investimentos, a expansão das atividades e a diversificação da nossa economia.

Quando essa relação é pautada pelo respeito, pela transparência e pelo compromisso com o interesse público, aquilo que poderia gerar distanciamento se transforma em cooperação, e os resultados aparecem, com mais investimento, mais emprego e mais oportunidades para os capixabas.

Essa mesma visão orienta, também, a relação com a sociedade civil.

Governar não é apenas decidir. É, acima de tudo, saber ouvir. É reconhecer que a sociedade é múltipla e que nenhuma estrutura estatal responde sozinha a todos os desafios.

A construção de políticas públicas efetivas exige escuta ativa, humildade institucional e disposição para construir consensos.

É nessa interação que o Estado amplia sua capacidade de ação. As organizações da sociedade civil conferem capilaridade às políticas públicas e contribuem para aumentar sua efetividade.

Isso é decisivo no enfrentamento de desafios complexos, como a segurança pública, o fortalecimento contínuo do SUS capixaba, a educação que transforma vidas e a promoção da cultura do Espírito Santo, que se fortalece com a participação ativa das comunidades.

Quando há confiança, diálogo e cooperação, aquilo que poderia ser disperso se organiza. E o que parecia fragmentado ganha direção, escala e capacidade de transformação.

Há ainda um elemento essencial que sustenta, no dia a dia, essa capacidade de construir convergências, o trabalho dos servidores públicos.

São eles que dão continuidade às políticas, que transformam decisões em entregas e que garantem que a ação do Estado alcance, de fato, a vida das pessoas.

Mais do que executar, os servidores públicos são parte ativa na construção dessa cultura de cooperação, responsabilidade e compromisso com o interesse público.

Sua atuação, orientada pelo profissionalismo, pela dedicação e pelo foco no bem-estar da população, é o que permite que o Estado avance para além das circunstâncias e dos ciclos políticos.

É essa presença permanente, qualificada e comprometida que assegura estabilidade, confiança e capacidade de realização, independentemente das mudanças de governo.

Valorizar os servidores públicos é, portanto, fortalecer o próprio Estado. É reconhecer que são eles que, na prática, tornam possível reduzir distâncias, construir convergências e entregar resultados para a sociedade.

Senhoras e senhores, ao fim, tudo converge para um ponto central.

Em meio às diferenças e à complexidade dos desafios públicos, há um ativo que sustenta e potencializa todos os demais, a confiança.

Confiança entre os Poderes. Confiança na relação com os municípios. Confiança no diálogo com o setor produtivo. Confiança na interação com a sociedade civil.

A confiança não se impõe. Ela se constrói.

O Espírito Santo tem demonstrado, ao longo dos últimos anos, que é possível consolidar esse caminho, um Estado que equilibra suas contas, que investe, que dialoga e que entrega resultados.

Esse é um caminho que tem liderança. E é indispensável reconhecer aqui o papel do governador Renato Casagrande, sob cuja condução a confiança se consolidou como marca deste ciclo de governo, conduzido com elevado espírito público e grandes resultados.

Por isso, podemos afirmar com segurança que o maior ativo do Espírito Santo não está apenas nos seus indicadores ou na sua capacidade de execução.

Está na confiança que conseguimos construir.

Confiança nas instituições. Confiança na condução das políticas públicas. Confiança de quem constrói sua vida aqui, ao lado de sua família.

É essa confiança que nos permite avançar.

É ela que reduz distâncias, aproxima e viabiliza convergências.

E é ela que nos dá a convicção de que o Espírito Santo pode ser, cada vez mais, um Estado que funciona e que entrega, para todos, um futuro melhor.

Leia também

Para melhorar a sua navegação, nós utilizamos Cookies e tecnologias semelhantes.
Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Política de Privacidade