Consumo

Especialista prevê filas em supermercados com fechamento aos domingos

Ana Luiza de Castro avalia os impactos da medida nos supermercados

Os supermercados vão fechar aos domingos no Espírito Santo. Foto: Divulgação (Agência Brasil)
Os supermercados vão fechar aos domingos no Espírito Santo. Foto: Divulgação (Agência Brasil)

O mês de março começa trazendo uma notícia que já está repercutindo e gerando preocupação entre os consumidores: o fechamento dos supermercados aos domingos. A medida passa a valer já neste domingo, dia 1º, e deve impactar a rotina de muitas famílias.

A mudança foi definida em Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) firmada entre sindicatos patronais e o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio do Estado do Espírito Santo (Sindicomerciários-ES).

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Pela regra, deverão manter as portas fechadas aos domingos supermercados, atacarejos, mercearias e minimercados que tenham empregados registrados, inclusive unidades instaladas em shopping centers. Permanecem autorizados a funcionar os pequenos comércios familiares sem funcionários, além de padarias e açougues.

Mudança de hábito

De acordo com a advogada especialista em Direito Trabalhista, Ana Luiza de Castro, a norma tem levantado diversos questionamentos: a população vai se acostumar com os estabelecimentos fechados? Trata-se de um retrocesso para o setor? Como os empresários estão lidando com a situação?

“Um dos questionamentos é que o acordo não levou em conta a opinião da sociedade e foi resolvido entre empresários e sindicatos do setor. Entre os motivos estão o descanso semanal e o convívio familiar por parte dos funcionários e, por parte dos empresários, a dificuldade com mão de obra”, afirma a advogada.

O domingo se consolidou como um dia estratégico, passando a fazer parte da rotina das famílias. O impacto pode gerar longas filas e pressão na operação dos estabelecimentos. No entanto, o descumprimento da norma pode resultar em multa para os empresários do setor.

“É fundamental que as empresas compreendam que, quando a restrição decorre de negociação coletiva, não se trata de mera recomendação, mas de uma obrigação que deve ser observada para evitar autuações e ações trabalhistas”, pontua.

Resta saber como será o período de adaptação dos consumidores, já que a medida não afeta apenas grandes redes de supermercados, mas também mercados de bairro que serviam de apoio para compras de última hora. “A alteração impacta ainda a jornada e o dimensionamento de equipe”, ressalta Ana Luiza.