Barragem de Mariana

Após desastre em Mariana, ES recebe R$ 131,9 mi para saúde

Recursos do Novo Acordo do Rio Doce vão reforçar hospitais, Caps e vigilância ambiental

Rompimento da barragem de Fundão, em Mariana
Rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Mais de dez anos após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, o governo federal anunciou R$ 131,9 milhões para recuperar e ampliar a rede pública de saúde nos municípios capixabas atingidos pelo desastre. O recurso, confirmado nesta quinta-feira, será destinado a 11 cidades impactadas pela lama que desceu pelo Rio Doce em 2015.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que os valores são resultado de acordo judicial firmado com as empresas responsáveis pelo rompimento da barragem, a Samarco e suas acionistas, Vale e BHP. Segundo ele, a renegociação envolveu o poder público e as companhias responsáveis pelo crime ambiental que afetou cidades do Espírito Santo.

O plano integra o chamado Novo Acordo do Rio Doce e prevê ações estruturantes voltadas à infraestrutura, vigilância e assistência em saúde, além de iniciativas em saúde digital, ensino, formação e gestão.

Infraestrutura concentra maior volume

Do total anunciado, R$ 82,55 milhões serão aplicados na expansão da infraestrutura de saúde. Entre as principais medidas está a construção de um complexo hospitalar em Colatina, além da implantação de quatro novos Centros de Atenção Psicossocial, dois centros de especialidades odontológicas e a compra de equipamentos para dois centros especializados em reabilitação.

Os investimentos contemplam os municípios de Anchieta, Aracruz, Baixo Guandu, Conceição da Barra, Fundão, Linhares, Marilândia, São Mateus, Serra e Sooretama, além de Colatina.

Sobre o novo hospital, Padilha afirmou que a unidade terá papel estratégico na região e explicou que “será especializado em acompanhar a situação de doenças crônicas que podem ocorrer em decorrência da contaminação da água”.

Atendimento regional e populações específicas

Em Brasília, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, participou da assinatura que autorizou a liberação dos recursos. Ele declarou que “nós teremos em todos os municípios atingidos estrutura para ofertar cirurgias eletivas e outros serviços na área da saúde, como o acompanhamento de pessoas com desenvolvimento atípico”.

Entre as ações previstas para o complexo hospitalar estão a ampliação da oferta de cirurgias, um plano de intervenção para doenças hematológicas, hipertensão e diabetes voltado a populações quilombolas e a criação de uma linha de cuidado integral para o idoso frágil.

O governo federal também informou que haverá reforço na vigilância ambiental e toxicológica, com a reestruturação do Laboratório Central de Saúde Pública para análise de metais pesados e matrizes ambientais, além da ampliação das equipes de vigilância ambiental, epidemiológica e de saúde do trabalhador.

Os recursos fazem parte das medidas de reparação pelos danos provocados pelo rompimento da barragem e devem fortalecer a rede pública de saúde nas áreas afetadas ao longo dos próximos anos.