ESCOLA
Alta periculosidade
Apontado como líder do tráfico no bairro Balneário de Carapebus, suspeito estava foragido desde fevereiro de 2025
Escrito por Redação em 26 de fevereiro de 2026
A Polícia Civil do Espírito Santo capturou, em Governador Valadares (MG), um suspeito de 22 anos apontado como líder do tráfico de drogas no bairro Balneário de Carapebus, na Serra, e investigado por uma série de homicídios marcados pelo uso de armamento pesado e extrema violência. Ele estava foragido do sistema prisional desde fevereiro de 2025.
Segundo as investigações, Ryan Inácio Silva, conhecido como “Sementinha”, é apontado como um dos executores de um duplo homicídio qualificado ocorrido no Balneário de Carapebus, em setembro de 2025. Na ocasião, o grupo criminoso teria invadido a residência das vítimas utilizando fuzil, pistolas, espingarda calibre 12 e uniformes falsos. O suspeito também é investigado por outros assassinatos e tentativas de homicídio ligados à disputa entre facções pelo controle do tráfico de drogas na região.
De acordo com a Polícia Civil, o envolvimento de Ryan com o tráfico começou ainda na adolescência. Aos 17 anos, ele teria participado do homicídio de um taxista no bairro Jardim Joara, na Serra, no dia 20 de agosto de 2020.
Em 24 de julho de 2021, segundo a polícia, ele se envolveu em outro assassinato, quando matou o pescador Renato Caetano. Dois dias depois, foi preso em flagrante.
No entanto, em 17 de fevereiro de 2025, o suspeito fugiu da prisão durante uma fuga em massa. A partir de então, conforme as investigações, uma sequência de novos crimes foi registrada.
Um dos crimes atribuídos ao suspeito ocorreu em uma boca de fumo da região.
“Ele chega nessa boca de fumo, acompanhado de um condutor de uma motocicleta, utiliza uma bolsa de entrega de lanches pra surpreender essas pessoas e utilizar da ocultação para conseguir ocultar o armamento e tirar a vida do Diego Clemente”, explicou o delegado Paulo Ricardo Cardoso, adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra.
Dois dias após esse ataque, outro crime foi registrado. Era um sábado à noite quando Ryan e comparsas atacaram um traficante rival em uma distribuidora. A ação foi flagrada por câmeras de videomonitoramento. As imagens mostram o grupo chegando atirando. O alvo conseguiu fugir, mas pessoas que estavam no local foram atingidas.
No dia 21 de setembro, houve mais um ataque contra um traficante rival, que também conseguiu escapar mesmo após ser baleado.
Uma semana depois, segundo as investigações, o grupo se disfarçou de policiais civis para invadir uma residência. Os alvos seriam dois traficantes conhecidos como “Batata” e “Mineiro”, apontados como envolvidos no ataque que resultou na morte da menina Alice Rodrigues, de 6 anos, em 24 de agosto do ano passado.
“Eles utilizam camisas com inscrições da Polícia Civil, com a ideia de simular e aproximar aquela ação de uma operação real da polícia. Isso para não deixar que a população local identifique o ataque criminoso e também pra que eles conseguissem convencer as vítimas a abrir a porta e não reagissem”, continuou o delegado.
Além dos alvos, estavam na residência um adolescente, a esposa de um dos suspeitos e uma criança de colo. Mesmo baleado, o menor conseguiu fugir. A mulher e a criança foram poupadas.
“O menor consegue escapar porque ele corre para o banheiro e foge por uma janela basculante. Porém, embora não tenha morrido, ele foi baleado, socorrido e hospitalizado. A mulher e a criança foram poupados pela facção criminosa porque eles queriam que o recado fosse dado aos outros envolvidos no tráfico de drogas local, que eles estavam tomando o controle do tráfico local e seriam os chefes”, disse o delegado.
Após o crime, Ryan fugiu para Governador Valadares, onde, segundo a polícia, continuava dando ordens ao grupo criminoso.
Mesmo após ser capturado, o suspeito teria tentado novamente escapar do presídio. De acordo com o chefe da DHPP da Serra, ele é considerado um dos criminosos mais perigosos do município.
“A prisão dele é de suma importância pois retira um indivíduo de alta periculosidade, desestrutura a hierarquia do tráfico de drogas no bairro e, consequentemente, retoma a tranquilidade e paz social dos moradores de bem”, finalizou o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra.
*Com informações do repórter Américo Soares, da TV Sim/SBT.