Presos no ES terão aulas de inglês dentro de unidade prisional
Escrito por Rodrigo Gonçalves

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Aulas de idiomas no Complexo de Xuri, em Vila Velha
Aulas de idiomas no Complexo de Xuri, em Vila Velha. Foto: Divulgação
Pessoas privadas de liberdade no Espírito Santo começaram a ter acesso a aulas de inglês dentro do próprio sistema prisional. O Complexo do Xuri, em Vila Velha, agora abriga o primeiro Centro Estadual de Idiomas (CEI) da educação prisional capixaba, uma iniciativa inédita da Secretaria Estadual da Educação (Sedu). A proposta é oferecer, de forma gratuita, um curso de inglês com duração de um ano, voltado para alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) que cumprem pena na unidade. As aulas serão presenciais, no contraturno escolar, com duas horas e meia de duração por semana. Ao final do segundo semestre, os participantes recebem um certificado de nível iniciante.

Curso foi adaptado à rotina do sistema prisional

O conteúdo é baseado no método comunicativo, que valoriza o uso prático da língua e estimula a interação entre os estudantes. Todo o material didático é fornecido gratuitamente e quatro turmas foram formadas nesta primeira etapa do projeto. A Escola Estadual Cora Coralina, localizada dentro do Xuri, já vinha oferecendo outras modalidades de ensino. Agora, passa a integrar também a rede de Centros Estaduais de Idiomas, que já conta com 30 unidades espalhadas pelo estado.

Internos destacam impacto pessoal e profissional

Para os alunos, a iniciativa representa mais do que uma atividade dentro da rotina do presídio. Um dos internos, estudante do curso técnico em Logística, destacou que o conhecimento é algo que ninguém pode tirar. “Estudar muda a vida das pessoas e vai me dar novas oportunidades”, disse. Outro participante afirmou que o curso amplia suas perspectivas de inserção no mercado de trabalho. “A escola muda o ser humano, e o ser humano muda o mundo”, resumiu.

Ensino de idiomas é ampliado para além dos muros

O secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo, afirmou que o projeto busca oferecer ferramentas reais de reintegração e formação para o futuro. “Não é apenas um certificado, é uma construção de oportunidades para quem está em privação de liberdade”, disse. A Sedu informou ainda que a inclusão do sistema prisional na rede dos CEIs está alinhada às diretrizes da Lei de Execução Penal. Para a gerente de EJA, Mariane Berger, levar educação a esse público é garantir direitos e abrir novas possibilidades. “É também uma resposta ao que a sociedade espera de políticas públicas voltadas à ressocialização”, afirmou. Já o secretário de Justiça, Rafael Pacheco, lembrou que a educação é um dos pilares do programa de ressocialização no estado. “É por meio dela que muitos reconstroem suas trajetórias e conseguem acesso ao mundo do trabalho.”

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