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Centro Histórico
Várias ações de governos estão em curso para “revitalizar” e dar uma nova movimentação ao Centro da Capital
Escrito por Bartolomeu Boeno em 15 de fevereiro de 2026
A História recente do Centro de Vitória mostra que, a partir das décadas de 1970 e 1980, teve início a um processo de esvaziamento da sede da capital, com o deslocamento gradativo do eixo econômico e social seguindo a expansão urbana em direção ao norte da ilha. Agora, várias ações de governos estão em curso para “revitalizar” e dar uma nova movimentação ao Centro da Capital. Nesse sentido, a Prefeitura de Vitória anuncia investimentos em mais de 150 ações voltadas para essa proposta.
A evasão dos negócios e pessoas do Centro, segundo a historiografia, seria impulsinada por fatores como as obras de aterros em faixa litorânea, abertura de vias, pavimentações e saneamento; maior uso do automóvel, novas pontes e melhoria das ligações viárias. A Praia do Canto e, depois Camburi, passaram a concentrar novos e modernos edifícios, moradias das classes média e alta, shoppings, bancos e demais serviços, tendo o poder público e o mercado imobiliário direcionando investimentos, equipamentos e infraestrutura para essas áreas.

Enquanto isso, na direção oposta, o Centro Histórico foi perdendo população residente, sofreu degradação física, desvalorização dos imóveis e especializou-se em comércio popular e em serviços de menor renda. Com o tempo, diversas edificações, inclusive históricas, caíram em desuso, sendo abandonadas, com impacto direto na fisionomia da cidade.
Mas isso está mudando com a sequência de ações implementadas nos últimos anos como a adaptação de antigos prédios para habitação. Tais políticas, juntamente com as que estão sendo executadas e outras anunciadas, já impacatam na valorização imobiliária.
A Prefeitura de Vitória noticia que tem investido “de forma consistente” em projetos estratégicos de requalificação urbana no Centro, destacando que, desde o início da administração, em 2021, um total de 159 projetos foram elaborados e concluídos. Além disso, outros estão em andamento.
Ente as ações, a Prefeitura relaciona e descreve algumas, como por exemplo, a restauração do Viaduto Caramuru e do prédio do Museu Capixaba do Negro (Mucane); a revitalização do Mercado da Capixaba e a reurbanização da Praça Getúlio Vargas – entregue em dezembro de 2025, além do projeto em curso da nova Avenida Beira Mar.
“Como reflexo desse conjunto de ações, o Centro de Vitória consolidou-se como um dos bairros mais valorizados da Grande Vitória, segundo pesquisa nacional do FipeZAP, divulgada no início de 2026”, destaca. O levantamento apontou o Centro entre os dez bairros protagonistas desse movimento de valorização na capital, com base na variação dos valores de apartamentos prontos em 56 cidades brasileiras.
No ranking dos bairros mais valorizados da Região Metropolitana, o Centro de Vitória registrou um aumento expressivo de 23,5% em um ano, “evidenciando o dinamismo recente da região e o impacto direto das ações de requalificação implementadas”, indica a Prefeitura.

Com investimento de R$ 841 mil, o Viaduto Caramuru, construído em 1925, passou por intervenções que incluíram a manutenção e recuperação do tabuleiro, adornos, postes, muros de arrimo e do pavimento de concreto. A obra foi entregue em setembro de 2023, “preservando um importante patrimônio histórico da cidade”.
Na Praça Getúlio Vargas, “Vitória deu mais um passo importante rumo a uma gestão de resíduos moderna e eficiente, com o lançamento do primeiro contentor subterrâneo da cidade”, observa. Aponta ainda que, em parceria com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), a Prefeitura revitalizou um terreno de 3.200 m² na Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, no Centro. No local, foi implantado um estacionamento com 128 vagas gratuitas e sem restrição de horário, entregue em junho de 2024.

O Museu Capixaba do Negro (Mucane), primeiro do Brasil dedicado à valorização da cultura afrodescendente, foi restaurado e entregue à população em 2023. O espaço abriga oficinas de dança e fotografia, mostras, exposições e diversos eventos culturais, fortalecendo a preservação da memória e a promoção da diversidade.

O restauro do Mercado da Capixaba, entregue em julho de 2024, “marcou um novo capítulo para o Centro Histórico de Vitória”, reconhece a Prefeitura. Com a reabertura do equipamento e a transformação da Rua Arariboia em rua de lazer, “a região central ganhou um novo espaço de convivência, lazer e diversão, gerando oportunidades de emprego e incentivando a retomada do comércio”.

Os armazéns do Porto, marco cultural e histórico de Vitória e do Espírito Santo, passaram por ampla reforma concluída em junho de 2024. As intervenções incluíram recuperação estrutural, tratamento de infiltrações, restauração das estruturas e valorização do perfil arquitetônico original, com limpeza e recuperação das fachadas e da alvenaria. O conjunto, formado por cinco armazéns, foi requalificado e passou a abrigar espaços voltados à integração com a comunidade, como museu, centro de vivência e unidade de ensino. Em novembro de 2025, um dos galpões passou a ser ocupado pelo Senai Porto, com turmas de qualificação profissional.
A nova sede da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) São Vicente de Paulo, no bairro Moscoso, “está se tornando realidade”, sendo construída na rua Loren Reno, no terreno onde funcionava o antigo Colégio Americano Batista. Projetada com foco em acessibilidade, conforto e sustentabilidade, a nova sede contará com três pavimentos, espaços modernos, quadras poliesportivas, biblioteca, auditório, refeitório e salas de aula equipadas para diferentes etapas e disciplinas.
No final do ano, a comunidade recebeu a Praça Misael Pena totalmente revitalizada. O espaço, agora todo renovado, oferece uma série de melhorias para garantir acessibilidade, lazer e convivência, com novo piso, mesas para jogos e novos bancos, paisagismo e Pet Park.
Em setembro de 2025, a capital deu início ao processo que resultará na requalificação da Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, conhecida como Avenida Beira-Mar, com a assinatura da ordem de serviço. Por meio do projeto Vitória de Frente para o Mar, serão remodelados 4,2 quilômetros da via, no trecho que vai do Porto de Vitória, no Centro da cidade, até as proximidades do Hortomercado, na Enseada do Suá.
Segundo a Prefeitura, a nova Beira-Mar contará com píeres e deques, passarelas para pedestres, ciclovia e áreas de contemplação da Baía de Vitória. “A avenida deixará de ser apenas uma via de passagem para se transformar em um cartão-postal da capital, valorizando a orla, impulsionando o turismo e promovendo mais qualidade de vida”.
Ainda segundo a Prefeitura, a intervenção também vai conectar a região norte ao Centro de Vitória. O projeto tem como objetivo proporcionar mais bem-estar e conforto a moradores e usuários, incentivando a apropriação dos espaços pela comunidade e valorizando essas áreas como locais de permanência e convívio social, e não apenas de deslocamento.

Paralelamente à valorização imobiliária, a Prefeitura de Vitória afirma que mantém de forma permanente estudos técnicos voltados à identificação de imóveis vazios ou subutilizados no Centro. “O objetivo é avaliar o potencial dessas áreas para requalificação e implantação de empreendimentos habitacionais de interesse social, em um trabalho de alta complexidade que envolve análises detalhadas das condições das edificações, do regramento urbanístico vigente e da compatibilização com o planejamento urbano, orçamentário e fiscal do município”, explica.
A Vila Rubim, “coração comercial do Centro de Vitória”, também passa por um amplo projeto de reurbanização, em uma área de 25 mil m². Segundo a Prefeitura, a proposta atualiza a linguagem urbanística da região, valorizando as atividades já existentes com mais conforto, acessibilidade e segurança, além da criação de espaços de convivência, melhorias na iluminação, paisagismo, organização do estacionamento e valorização da Ponte Seca. A iniciativa busca ainda estimular a vida noturna e promover ações culturais no entorno.