Personagens
Nahoy Doces
Com gastos de até R$ 20 mil por mês, família da Serra vende bolos em festival para manter tratamento
Escrito por Dani Saquetto em 28 de fevereiro de 2026
Para conseguir pagar as terapias do filho de 2 anos, a mãe transformou a própria cozinha em fonte de renda e passou a vender bolos em festivais aos sábados. Foi assim que nasceu a Nahoy Doces, na Serra, criada há cinco meses por Yasmin Scarpatti Ornelas, de 24 anos.
Yohan nasceu com uma síndrome rara ainda em investigação. Desde o parto, passou seis meses internado. Hoje, utiliza traqueostomia, precisa de ventilação mecânica para dormir e se alimenta 90% por sonda. Em alguns momentos, durante a terapia, consegue tomar alimento na chuquinha. Ele faz sete sessões de terapia por semana e é acompanhado por fisioterapia respiratória e motora, fonoaudiologia, terapia ocupacional, além de consultas com neurologista, ortopedista, pediatra, urologista e geneticista.
A família aguarda na Justiça uma decisão do Estado do Espírito Santo para garantir assistência domiciliar permanente, o chamado home care. “Ele precisa de acompanhamento 24 horas, mas hoje tudo é por nossa conta”, afirma Yasmin.
Sem poder trabalhar fora para cuidar do filho, Yasmin decidiu empreender. Há cinco meses, criou a Nahoy Doces, confeitaria virtual que começou de forma improvisada. “Eu sempre trabalhei desde os 14 anos. Quando vi que não conseguiria emprego formal por causa das terapias dele, pensei que precisava fazer alguma coisa para dar qualidade de vida ao meu filho”, conta.
A ideia surgiu depois de assistir a vídeos na internet. Com ajuda da prima confeiteira, começou a testar receitas em casa. O namorado, João Vitor Faria do Carmo, que é pai adotivo de Yohan, ficava com o menino enquanto ela saía para vender caixas com quatro docinhos nas ruas.
O casal passou a aceitar encomendas para festas e, depois, decidiu investir em bolos. Yasmin fez cursos e se especializou. Há um mês, começou a participar de um festival de fatias realizado sempre aos sábados, às 17h, em Formosa. No primeiro dia, levou 12 bolos. “Os 12 acabaram em poucas horas. Quando a gente chega, já tem fila se formando”, relata.
Cada fatia é vendida por R$ 22, com opção de calda extra. Dependendo da semana, o casal leva de oito a 12 bolos. “É uma correria sem fim, mas estou muito feliz com o resultado. As pessoas provam na minha frente e dizem que é uma delícia. Isso me dá força para continuar”, afirma.

Yasmin enfrentou a gestação sozinha após ser abandonada pelo pai biológico do menino. João Vitor assumiu a paternidade e está com a família há quase dois anos. Hoje, os dois dividem a produção dos doces e os cuidados com Yohan.
Parte das terapias é custeada pela prefeitura e pelo Estado, mas o atendimento não cobre todas as necessidades. O custo mensal atual gira em torno de R$ 10 mil. Se tivesse acesso a todas as terapias recomendadas, a despesa ultrapassaria R$ 20 mil.
Apesar das limitações, Yohan apresenta avanços. “Os médicos disseram que ele nunca iria comer. Hoje ele já experimenta pela boca. Cada evolução é uma vitória”, diz a mãe.
A família segue aguardando decisão judicial para garantir o home care. Enquanto isso, mantém a rotina entre fornos, entregas e sessões de terapia. A renda da Nahoy Doces paga o aluguel, o plano de saúde e parte do tratamento que mantém o menino estável.
Os festivais acontecem todos os sábados, às 17h, em Formosa. É ali que a história de Yohan ganha novos capítulos a cada fatia vendida.