O glaucoma pode avançar por anos sem que a pessoa perceba qualquer mudança na visão. Essa evolução silenciosa é justamente o que torna a doença uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. O alerta ganha força com o Dia Mundial do Glaucoma, lembrado na quinta-feira (12), data que chama atenção para a importância de exames oftalmológicos regulares.
Segundo o oftalmologista César Ronaldo Vieira Gomes Filho, o glaucoma não costuma começar com perda total da visão. O primeiro impacto geralmente ocorre nas laterais do campo visual, algo que muitas vezes passa despercebido.
“O paciente não sente dor e nem percebe mudanças abruptas. Ele continua lendo, trabalhando e vivendo normalmente, porque o cérebro compensa o que está deixando de enxergar nas bordas da visão”, explica.
Quando a visão começa a mudar
Como a perda do campo visual periférico acontece de forma gradual, muitas pessoas mantêm a rotina sem perceber que algo está errado. Com o tempo, no entanto, pequenas dificuldades podem começar a aparecer.
Caminhar em lugares movimentados, dirigir ou perceber objetos ao lado do corpo podem se tornar tarefas mais difíceis. Nem sempre o paciente associa essas mudanças ao glaucoma.
É por isso que o diagnóstico precoce faz diferença. Quando a doença é descoberta antes de causar perda significativa da visão, o tratamento pode controlar a progressão e preservar a qualidade de vida.
Quem precisa redobrar a atenção
A pressão intraocular elevada é o principal fator de risco para o glaucoma, mas não é o único. Pessoas com histórico familiar da doença, idade mais avançada e algumas condições clínicas também precisam ficar atentas.
O tratamento costuma ser contínuo e exige disciplina. Quando indicado, o uso regular de colírios ajuda a controlar a pressão dentro dos olhos e a evitar o avanço da doença. Interromper o tratamento por conta própria pode acelerar a perda de visão, mesmo que o paciente não perceba piora imediata.
Mais do que um diagnóstico
Receber o diagnóstico de glaucoma também pode trazer impacto emocional. Muitos pacientes passam a conviver com uma condição crônica que não tem cura, apenas controle.
“O glaucoma exige entendimento. O paciente precisa saber que o tratamento não é apenas para enxergar melhor hoje, mas para preservar a visão que ainda existe”, afirma o médico.
A recomendação dos especialistas é que adultos façam consultas oftalmológicas periódicas, especialmente a partir dos 40 anos, quando o risco da doença aumenta. O exame é simples e pode identificar alterações antes mesmo de qualquer sintoma aparecer.
O maior desafio ainda é que muitas pessoas só procuram atendimento quando já percebem mudanças na visão. Nesse estágio, parte das fibras do nervo óptico pode ter sido perdida de forma irreversível.


