OMS inclui presunto na mesma categoria cancerígena do cigarro
Escrito por Rodrigo Gonçalves

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a acender o alerta sobre a alimentação ao incluir o presunto e outras carnes processadas na mesma categoria de risco cancerígeno do cigarro. A classificação faz parte do Grupo 1 de carcinógenos — nível reservado a agentes para os quais há comprovação científica suficiente de que causam câncer em humanos. A decisão foi tomada pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) e reacendeu discussões sobre os impactos desses alimentos no consumo cotidiano.

A presença no mesmo grupo, no entanto, não significa que presunto e cigarro ofereçam o mesmo grau de perigo à saúde. A classificação considera a solidez das evidências científicas, e não o tamanho do risco. No caso das carnes processadas, a ligação mais consistente observada pelos pesquisadores é com o câncer colorretal.

O que quer dizer estar no Grupo 1

O Grupo 1 reúne substâncias, hábitos ou exposições cuja relação com o câncer foi confirmada por diferentes tipos de estudos, como pesquisas epidemiológicas, testes laboratoriais e análises dos mecanismos biológicos envolvidos. Ou seja, há consenso científico de que existe uma relação de causa e efeito.

No caso do presunto, o problema está principalmente na forma como a carne é processada. Métodos como cura, defumação e o uso de conservantes químicos estão associados à formação de compostos que, durante a digestão, podem agredir o DNA das células do intestino e favorecer o surgimento de mutações.

Carnes processadas

O consumo frequente de alimentos como presunto, salsicha, bacon e outros embutidos está ligado a vários processos que aumentam o risco de câncer. Entre eles, estão a presença de nitritos e nitratos — substâncias que podem se transformar em compostos potencialmente cancerígenos no organismo — e a produção de agentes reativos no intestino, capazes de provocar estresse oxidativo.

Além disso, dietas ricas em ultraprocessados tendem a substituir alimentos protetores, como frutas, legumes, verduras e fibras. Esse padrão alimentar também está associado ao ganho de peso e à inflamação crônica, fatores que contribuem para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.

Comparação não significa equivalência

Embora estejam na mesma categoria, o impacto do cigarro sobre a saúde é muito mais amplo e grave, especialmente quando se fala em câncer de pulmão e doenças cardiovasculares. Já o risco associado ao presunto está diretamente ligado à quantidade e à frequência de consumo.

Ainda assim, o recado da OMS é direto: carnes processadas não devem ser tratadas como alimentos inofensivos e precisam ser consumidas com moderação, sobretudo por quem já mantém uma dieta rica em produtos industrializados.

Alimentação como aliada da prevenção

Para reduzir os riscos à saúde, especialistas indicam mudanças simples, mas consistentes, na rotina alimentar. Entre as recomendações estão priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes e fibras, e deixar carnes processadas para ocasiões esporádicas, não para o dia a dia.

Manter o peso adequado e adotar a prática regular de atividade física também fazem parte da estratégia de prevenção. Segundo a OMS, a divulgação dessas informações não tem o objetivo de gerar alarme, mas de oferecer dados científicos claros para que as pessoas façam escolhas mais conscientes e favoráveis à saúde a longo prazo.

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