Calor persistente, sensação térmica elevada e chuvas que caem forte, mas de forma irregular. Esse é o cenário previsto para fevereiro no Espírito Santo, de acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). O mês integra o período chuvoso e mantém as características típicas do verão, com instabilidade atmosférica em todas as regiões do estado.
Mesmo com alta frequência de precipitações, os volumes médios tendem a ser ligeiramente menores do que os registrados em janeiro. Ainda assim, fevereiro segue tendo papel importante no balanço hídrico, especialmente para solos, mananciais e reservatórios.
Chuvas irregulares e temporais isolados
As chuvas ocorrem, predominantemente, na forma de pancadas convectivas, associadas ao aquecimento ao longo do dia. Esses episódios se concentram entre a tarde e o início da noite, mas podem avançar para a madrugada, principalmente nas áreas litorâneas.
A distribuição é desigual e, em muitos casos, a precipitação ocorre em curto intervalo de tempo, com forte intensidade. Trovoadas e rajadas de vento costumam acompanhar esses eventos, o que aumenta o risco de alagamentos pontuais e enxurradas.
Os volumes médios mensais variam conforme a região. No Sul e na Serrana, ficam entre 100 e 120 milímetros. Na Região Metropolitana da Grande Vitória, os acumulados variam de 80 a 110 milímetros. Já nas regiões Norte, Nordeste e Noroeste, as médias ficam entre 70 e 100 milímetros.
Temperaturas seguem elevadas
O calor permanece ao longo de todo o mês. A temperatura média do ar varia, em geral, entre 25 °C e 27 °C. As máximas frequentemente alcançam valores entre 30 °C e 34 °C, sobretudo no Norte, Nordeste e Noroeste, onde predominam áreas de menor altitude.
As mínimas ficam entre 22 °C e 24 °C, com menor amplitude térmica nas áreas próximas ao litoral, influenciadas pela circulação marítima. A combinação entre calor e umidade elevada intensifica a sensação térmica e favorece a formação de nuvens profundas, responsáveis pelas pancadas típicas do verão.
Sistemas que influenciam o tempo
Entre os principais sistemas meteorológicos atuantes em fevereiro estão os sistemas convectivos de mesoescala, impulsionados pelo aquecimento diurno e pela grande disponibilidade de umidade na atmosfera. Esses sistemas favorecem a ocorrência de temporais isolados.
Também há registros de atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul, que contribui para períodos de chuva mais persistente e acumulados mais expressivos. Sistemas frontais ainda conseguem alcançar o Espírito Santo, ajudando a organizar áreas de instabilidade. Em níveis mais altos da atmosfera, a circulação associada à Alta da Bolívia mantém o transporte de umidade sobre a região.
Influência da La Niña
As condições oceânicas e atmosféricas seguem influenciadas pela La Niña, ainda ativa nos meses de fevereiro, março e abril de 2026. O fenômeno mantém águas mais frias que o normal no Pacífico equatorial e padrões atmosféricos característicos.
A previsão indica 75% de probabilidade de transição para a fase neutra até março de 2026, com manutenção da neutralidade ao longo do outono no Hemisfério Sul. Isso aponta para o enfraquecimento gradual dos efeitos da La Niña ao longo do trimestre.
Previsão climática para fevereiro
Mesmo com divergências entre os modelos, a maioria das projeções indica chuvas em torno da média climatológica em quase todo o Espírito Santo. A exceção é a região Nordeste, onde há maior probabilidade de volumes abaixo da média.
Para a temperatura, o cenário é mais consistente. Os modelos apontam valores acima da média em todas as regiões do estado, reforçando a expectativa de calor persistente.
Fevereiro deve, portanto, manter o padrão do período chuvoso, com instabilidade recorrente, calor intenso e episódios de chuva concentrados. O acompanhamento contínuo das condições meteorológicas segue sendo essencial, especialmente em áreas suscetíveis a alagamentos, enxurradas e processos erosivos, além do planejamento de atividades agrícolas em função da elevada umidade do solo.


