Após perder 75 kg e chegar a 32 kg, paciente desnutrida precisou desfazer cirurgia bariátrica; especialista explica sinais de alerta
Dia a Dia
Mulher reverte bariátrica após perder 75kg; saiba quando é preciso
Escrito por Dani Saquetto em 26 de fevereiro de 2026
Depois de perder 75 quilos em dez meses, chegar a 32 quilos e enfrentar nove internações em UTI, uma mulher precisou reverter a cirurgia bariátrica para sobreviver. O quadro incluiu desnutrição severa, deficiência grave de potássio e risco de arritmia cardíaca.
A fotógrafa Uli Suellen fez a bariátrica em maio de 2021, aos 30 anos, quando pesava 115 quilos. Segundo relato, procurou atendimento por refluxo e ouviu que deveria operar. O problema começou ainda no pós-operatório imediato. Ela voltou da cirurgia com dificuldade para engolir e complicações respiratórias. Recebeu alta, mas em casa não conseguia ingerir água nem saliva. Em dois meses, havia perdido 30 quilos.
A fraqueza evoluiu rapidamente. Ao longo dos meses seguintes, desenvolveu infecção renal, úlcera, anemia, perdeu parte da visão e precisou de nutrição pela veia e uso de sonda. Mesmo com reposição oral e intravenosa, os níveis de potássio não se estabilizavam. Diante do quadro refratário ao tratamento clínico, a reversão foi indicada em 2022.
As estatísticas apontam que complicações severas após bariátrica são incomuns, em torno de 0,5%, com mortalidade aproximada de 0,1%. Ainda assim, especialistas alertam que sintomas persistentes não devem ser tratados como parte normal da adaptação.
Quando a reversão é necessária
O cirurgião bariátrico Tarcísio Zovico afirma que a reversão é “extremamente rara”, mas possível. “Às vezes, determinadas situações se manifestam de forma específica para aquele paciente. É raro, mas é passível de acontecer”, diz.
Segundo Zovico, a desnutrição pode ocorrer a depender do tipo de técnica utilizada, do grau de desabsorção intestinal, da adesão à dieta e do acompanhamento médico, destacando que a alimentação adequada, a suplementação e a realização de exames periódicos influenciam diretamente no resultado, já que são muitas variáveis envolvidas no processo.
Antes de indicar nova cirurgia, a equipe tenta corrigir o problema com suplementação, reposição de vitaminas, sonda alimentar e outras medidas clínicas. “Em última análise, a cirurgia revisional está indicada. Mas é muito raro acontecer”, explica o especialista.
Zovico relata que, em 25 anos de atuação, já precisou reverter o procedimento em mais de um caso, inclusive em pacientes com diarreia intensa e desnutrição progressiva. Ele ressalta que, diante de risco nutricional grave, a prioridade deixa de ser o peso e passa a ser o estado nutricional, destacando ainda que a desnutrição é uma condição que pode matar mais do que a própria obesidade.
Sinais de alerta no pós-operatório
De acordo com o cirurgião, o pós-operatório habitual é estável. O paciente costuma iniciar ingestão de líquidos no mesmo dia da cirurgia e recebe alta no dia seguinte. Após 30 dias, geralmente já está liberado para alimentação sólida.
Sintomas que fogem desse padrão exigem avaliação imediata. “O paciente que não consegue andar, não consegue se alimentar, está com muita dor ou com estado emocional muito abalado, tem alguma coisa errada”, afirma.
O especialista também cita diarreia intensa, vômitos frequentes, infecções urinárias de repetição e ausência de suplementação como sinais de alerta. “Nosso grande medo é o paciente não fazer acompanhamento e chegar numa situação em que você já perdeu o timing e coloca a vida em risco”, diz.
A bariátrica segue como opção no tratamento da obesidade grave, mas exige avaliação criteriosa antes da cirurgia e acompanhamento contínuo depois do procedimento. Complicações são raras, mas, quando surgem, precisam de investigação rápida para evitar desfechos graves.