FUTEBOL
tensão no Oriente Médio
Ataques de Israel e dos Estados Unidos e retaliação iraniana forçaram o fechamento de instalações de petróleo e gás em toda a região
Escrito por Redação em 03 de março de 2026
A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a refletir no mercado internacional e pode ter efeitos diretos no bolso do brasileiro. A alta do petróleo registrada nesta segunda-feira (2), após ataques envolvendo Israel, Estados Unidos e Irã, reacendeu o alerta sobre aumento da inflação e pressão sobre os combustíveis.
Os preços internacionais do petróleo e do gás avançaram depois que Teerã retaliou ofensivas militares e houve interrupções em instalações de energia na região. O transporte marítimo também foi afetado no estratégico Estreito de Ormuz, rota por onde passa uma parcela significativa da produção global.
Os contratos futuros do petróleo tipo Brent chegaram a subir 13%, alcançando US$ 82,37 por barril — o maior patamar desde janeiro de 2025. Ao final do dia, fecharam com alta de US$ 4,87 (6,7%), cotados a US$ 77,74.
Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, encerrou a sessão a US$ 71,23, com avanço de US$ 4,21 (6,3%). Durante o pregão, o índice chegou a ultrapassar os US$ 75,33, maior nível desde junho.
O movimento ganhou força após o fechamento do mercado, quando a Guarda Revolucionária do Irã anunciou que poderia incendiar embarcações que tentassem cruzar o Estreito de Ormuz.
Especialistas avaliam que, caso a crise se prolongue, os impactos podem ser mais duradouros. Um aumento sustentado do petróleo tende a elevar custos de produção e transporte, pressionando a inflação global e reduzindo o ritmo de crescimento econômico.
“As principais questões são: quanto do abastecimento será perdido, por quanto tempo e como as grandes potências reagirão?”, disse Daniel Yergin, vice-presidente da S&P Global.
Embora a reação inicial dos preços tenha sido menor do que parte do mercado previa, novos ataques aumentaram a preocupação. O Irã também teria atingido estruturas ligadas a grandes produtores de energia, como Arábia Saudita e Catar, ampliando o temor de interrupções prolongadas no fornecimento.
Na segunda-feira, a Arábia Saudita suspendeu as operações de sua maior refinaria doméstica após um ataque com drones. O Catar interrompeu a produção de gás natural liquefeito, e a estatal QatarEnergy preparava a declaração de força maior para embarques de GNL.
A escalada militar também afetou diretamente a navegação. Cerca de 150 navios ficaram retidos nas proximidades do Estreito de Ormuz após a morte de um marinheiro e danos a pelo menos três petroleiros.
Em condições normais, a rota concentra o transporte de volume equivalente a aproximadamente um quinto da demanda mundial de petróleo, além de derivados como diesel e gasolina destinados a mercados estratégicos, entre eles China e Índia. A hidrovia também responde por cerca de 20% do comércio global de gás natural liquefeito.
O banco JPMorgan alertou que uma interrupção de três a quatro semanas no tráfego do Estreito de Ormuz poderia obrigar produtores do Golfo a reduzir a produção e levar o Brent a ultrapassar os US$ 100 por barril.
Embora os preços internos dependam de outros fatores, como câmbio e política de preços da Petrobras, a alta internacional do petróleo costuma influenciar os valores da gasolina e do diesel. Caso a tensão persista, o consumidor brasileiro pode sentir os reflexos nas bombas e no custo de produtos e serviços, pressionando ainda mais a inflação.
* Com informações do SBT NEWS