Decisivo

Federação União Progressista fecha apoio a Ricardo Ferraço

A presença da “superfederação” na futura coligação de Ricardo é um ativo e tanto conquistado pela frente governista. Num jogo eleitoral equilibrado como o que se desenha neste momento na disputa pelo Governo do Estado, PP e União Brasil podem ser o fiel da balança

Ricardo Ferraço, Da Vitória, Renato Casagrande e Marcelo Santos. Crédito: reprodução Instagram (maio de 2025)

A notícia ainda não é oficial, mas apuramos que é fato consumado: a Federação União Progressista fechou apoio ao vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) na eleição ao Governo do Estado. Fará parte da coligação encabeçada por Ricardo, a mesma que também deve ter o governador Renato Casagrande (PSB) como um dos dois candidatos ao Senado. O anúncio da decisão não tardará.

Constituída nacionalmente no ano passado, a chamada “superfederação” é composta por dois grandes partidos de direita, com bancadas expressivas na Câmara: o União Brasil e o Progressistas (PP). No Espírito Santo, a federação é comandada pelo deputado federal Josias da Vitória, também presidente estadual do PP e antigo aliado de Casagrande. O União Brasil é presidido no Estado pelo deputado estadual Marcelo Santos, chefe do Poder Legislativo Estadual e também um casagrandista de longa data.

Em gesto para lá de simbólico, o próprio Ricardo participou, na tarde desta quinta-feira (26), da reunião que sacramentou a chegada do deputado federal Amaro Neto ao PP (logo, à federação), ao lado de Da Vitória e Marcelo. O ato ocorreu na sede oficial do PP-ES, no Palácio do Café, na Enseada do Suá.

A presença da “superfederação” na futura coligação de Ricardo é um ativo e tanto conquistado pela frente governista. Mais do que garanti-la no palanque oficial da situação, era importante, para o governo, evitar que ela derivasse para um palanque de oposição – de forma mais específica, para a frente eleitoral recém-formada a partir da união dos prefeitos de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB).

Num jogo eleitoral equilibrado como o que se desenha neste momento na disputa pelo Governo do Estado, a Federação União Progressista pode ser o fiel da balança.

Nenhum partido ou federação é mais cobiçado por pré-candidatos a governador; nenhum pode fazer maior diferença em um palanque majoritário. Por seu precioso tempo de propaganda eleitoral e por seus valiosos recursos para financiamento de campanha – frutos dos seus mais de 100 deputados federais –, todos gostariam de fechar aliança com a chamada “superfederação”.

Assim como no resto do país, a federação do União Brasil com o PP nasceu como potência eleitoral no Espírito Santo, com boas chances de eleger dois deputados federais, pelo menos, se mantido o quadro atual.

Ora, em “circunstâncias normais”, isto é, antes do bater de asas de Arnaldinho, o Palácio Anchieta já não poderia se permitir, de jeito nenhum, perder União Progressista para a coligação a ser provavelmente encabeçada por Pazolini. Com a união dos dois prefeitos, populares e bons de voto, reter o apoio da federação passou a ser ainda mais vital para o governo.

Desde meados do ano passado, a federação já pendia mais para o lado do Palácio Anchieta, isto é, para o movimento liderado pelo governador Renato Casagrande, tendo Ricardo Ferraço como pré-candidato a governador. Como chegamos a afirmar aqui há cerca de 15 dias, três quartos da federação já estavam dentro desse projeto.

O próprio Da Vitória declarou em mais de uma ocasião que estava construindo com Casagrande a eleição majoritária no Espírito Santo (para governador e senadores). Casagrande e Ricardo formaram um petit comité que vem se reunindo regularmente para discutir o andamento do processo eleitoral no Estado. Dele também fazem parte Da Vitória, Marcelo Santos e, ainda, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (muito próximo de todos eles).

Condições cumpridas: saiba quem se junta à chapa

Mas havia ainda algumas pendências para azeitar o acordo. Em primeiro lugar, a presença do PP na administração de Pazolini em Vitória, com a vice-prefeita Cris Samorini, era sempre uma “espada sobre a cabeça” do governo. O próprio Da Vitória sempre manteve um bom diálogo com os oficiais da outra tropa, Pazolini e Erick Musso, mantendo uma pá em cada trincheira.

Além disso, os líderes da União Progressista nunca esconderam a condição sine qua non para fecharem em definitivo o apoio a Ricardo: ajuda do Palácio Anchieta na construção da chapa da federação para eleger deputados federais. Da Vitória e Marcelo Santos têm interesse direto no fortalecimento dessa chapa, pois são, eles próprios, pré-candidatos à Câmara dos Deputados.

Com a ida de Felipe Rigoni do União Brasil para o PSB e a “não vinda” de Serginho Vidigal (que deve ir para o Podemos), essa condição ficou “estremecida”. Mas o governo fez o seu dever de casa e, pelo que apuramos, trabalhou intensamente nos bastidores a fim de compensar essas perdas e atender, com sobras, às expectativas de Marcelo e Da Vitória.

A própria chegada de Amaro Neto para reforçar a referida chapa teve a participação direta do Palácio Anchieta. Outros se juntarão a ele. Pelo menos um membro do Governo do Estado será escalado para esse fim: também pré-candidato a deputado federal e de saída do PSDB, Enio Bergoli entrará no União Brasil. O secretário estadual de Agricultura é muito ligado a Ricardo.

Outro nome cotado para entrar na chapa da federação é o do comandante-geral da PMES, o coronel Douglas Caus. Ele tem interesse em entrar na disputa e se diz posicionado da centro-direita para a direita (assim como o PP e o União Brasil). Durante o Carnaval, no Sambão do Povo, testemunhamos o momento exato em que Da Vitória reforçou o convite ao coronel. Foi bem na nossa frente.

Finalmente, apuramos que o Palácio Anchieta entrou no circuito para atrair ninguém menos que o deputado estadual Serginho Meneguelli, visando convencê-lo a entrar no União Brasil.

E até a ex-deputada federal Soraya Manato, que tentará voltar à Câmara, já foi sondada por Da Vitória para voltar ao PP. Filiada ao Republicanos desde dezembro, ela confirma ter sido convidada por Da Vitória, mas afirma que mantém seu apoio a Pazolini para governador e que pretende seguir no partido do prefeito de Vitória.