Alunas de uma escola particular de Vitória organizaram um protesto dentro da unidade na sexta-feira (13) para cobrar a expulsão de dois estudantes acusados de manipular fotos de colegas e criar imagens falsas de nudez com o uso de inteligência artificial. A manifestação começou durante o intervalo e se estendeu até o início da tarde.
Segundo a mãe de uma das adolescentes vítimas, o movimento foi liderado por estudantes do terceiro ano. O protesto começou dentro da escola, com cartazes e tinta vermelha pintada no corpo das alunas.
“A escola trancou elas na sala de aula pra não saírem, elas começaram a fazer barulho, uma passou mal, aí acabaram saindo e foram para o centro de convivência”, contou a mãe de uma das estudantes.
A mãe contou que a escola pediu que as alunas voltassem para as salas de aula, mas elas decidiram permanecer reunidas. O grupo ficou no local desde cerca de 9h40 até o fim das aulas, por volta de 12h30.
Após o término do período, as estudantes foram para a frente da escola, onde continuaram o protesto até aproximadamente 13h10. “Ficaram com cartazes e corpos pintados de tinta vermelha e depois foram para frente da escola. Elas estão reivindicando a expulsão dos dois meninos”, afirmou a mãe.
De acordo com a mãe, uma reunião que havia sido marcada entre pais e a direção da escola acabou cancelada. “Algumas mães marcaram com o diretor e ele cancelou.”
Entenda o caso
O protesto ocorre após a denúncia feita pela família de uma adolescente de 14 anos que afirma ter sido vítima de colegas que manipularam fotos dela para criar imagens falsas de nudez por meio de inteligência artificial.
Segundo a família, as imagens modificadas foram compartilhadas entre estudantes da escola. A mãe registrou boletim de ocorrência na Delegacia da Infância e Juventude.
“A minha filha foi vítima de dois meninos que manipularam uma foto dela e de mais duas colegas através de inteligência artificial. E esses meninos divulgaram pra alguns outros colegas lá no ambiente escolar”, contou em entrevista à TV SIM/SBT.
De acordo com ela, o episódio teria sido motivado por um pedido de namoro feito por um colega da mesma idade que não foi correspondido pela adolescente.
“O que chegou até mim foi isso. Que eles tiveram um relacionamento e na hora que ele pediu ela em namoro ela não quis e, motivado por isso, ele quis se vingar”, relatou.
Ainda segundo a mãe, o estudante não agiu sozinho. Um amigo teria ajudado tanto na criação das imagens manipuladas quanto na divulgação para outros colegas.
“Eu acredito que, pelo que eu soube, eles mostraram pra alguns meninos e enviaram pra alguns colegas também. Não colocaram em grupos não. Um dos colegas que recebeu a imagem achou inadequado e mostrou para uma outra amiga. Na hora, ela ligou para minha filha para contar.”
O que diz o Salesiano?
O Colégio Salesiano Jardim Camburi, instituição pautada pelo respeito à dignidade humana e pela formação integral dos jovens, repudia com firmeza qualquer forma de violência, exposição ou desrespeito à integridade humana. Lamentamos profundamente que uma situação dessa natureza tenha ocorrido envolvendo estudantes de nossa comunidade durante o período de férias escolares.
Sobre o ocorrido
Na primeira semana de fevereiro, o Colégio tomou ciência da situação, sobre um episódio relacionado ao uso inadequado de recursos digitais, ocorrido antes do início das aulas. Assim que tomou conhecimento da situação, o Colégio iniciou imediatamente os procedimentos previstos em seu Regimento Escolar e na legislação vigente.
As famílias dos estudantes envolvidos foram prontamente chamadas para diálogo e orientação, em atendimentos individualizados conduzidos pela equipe pedagógica e de gestão. Desde então, a escola tem dedicado atenção especial ao acolhimento das estudantes afetadas, oferecendo escuta sensível, acompanhamento e apoio, com o objetivo de garantir que se
sintam respeitadas, protegidas e amparadas neste momento.
O fato também foi comunicado às autoridades competentes, e o Colégio permanece colaborando com elas para a adequada apuração dos acontecimentos.
Durante esse processo de acompanhamento e cuidado, fomos surpreendidos, na terça-feira (10/03), pela exposição do caso em veículos de imprensa e redes digitais.
Entre as informações veiculadas, algumas apresentam fragmentos e/ou não correspondem à realidade dos fatos ou apresentam interpretações indevidas sobre as medidas adotadas pela instituição.
Por envolver adolescentes, reiteramos que a proteção e o cuidado com os jovens são princípios inegociáveis para a instituição.
A divulgação pública de medidas específicas é indevida e contraria as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que orienta a preservação da identidade e da dignidade de menores de idade.
Manifestação das alunas
Na data de hoje (13/03), motivadas por um sentimento de solidariedade e união, um grupo de alunas organizou uma manifestação pacífica. O Colégio Salesiano Jardim Camburi acolheu essa expressão das estudantes, respeitando e apoiando o posicionamento das jovens que desejam se manifestar em defesa do respeito e da dignidade, sendo esta, uma causa com a qual
reafirmamos compromisso.
Sabemos também que os desafios do mundo digital exigem atenção permanente de famílias, educadores e de toda a sociedade.
Por isso, o Colégio promove continuamente ações formativas sobre o uso consciente e responsável das tecnologias, com a participação de especialistas, pesquisadores e autoridades, fortalecendo a formação dos estudantes em diálogo com as famílias.
Seguimos firmes inspirados pelo carisma de Dom Bosco, acreditamos que a educação se constrói no cuidado, na orientação e na formação da consciência. Nosso compromisso é acompanhar os jovens em seu crescimento humano.
Agradecemos a confiança e a parceria de toda a comunidade.



