Dor no peito e suor frio? Pode ser sinal de infarto

Especialistas alertam para sintomas e reforçam que atendimento rápido reduz risco de morte e sequelas

Escrito por Redação

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Dor no peito pode ser sinal de infarto
Dor no peito pode ser sinal de infarto. Foto: FreePik

Uma dor intensa no peito, em forma de aperto e que pode irradiar para o braço, ombro ou mandíbula, acompanhada de suor frio e falta de ar, pode ser o primeiro sinal de um infarto. A condição, conhecida como infarto agudo do miocárdio, ocorre quando o fluxo de sangue em uma artéria do coração é interrompido, provocando a morte de parte do músculo cardíaco e colocando a vida em risco.

Segundo a cardiologista Deise Marçal, do Hospital Vitória Apart, o infarto acontece quando o sangue deixa de chegar a uma região do coração. “O infarto é a morte de um pedaço do músculo do coração (miocárdio), causada pela interrupção do sangue que chega a essa região”, explica.

Ela afirma que a obstrução costuma estar associada ao acúmulo de placas de gordura nas artérias, processo conhecido como aterosclerose, mas também pode ocorrer por espasmo coronariano, quando a artéria sofre uma contração súbita que impede a passagem do sangue.

O cardiologista Denis Moulin, especialista em Hemodinâmica do Hospital Vitória Apart, detalha que o mecanismo mais comum envolve a formação de um coágulo sobre essas placas. “Na maioria das vezes, o bloqueio ocorre devido à formação de um coágulo sobre placas de gordura nas artérias do coração. Esse entupimento impede a chegada de oxigênio ao músculo cardíaco e provoca a lesão”, afirma.

Sintomas que exigem atenção

A dor no peito é o sinal mais característico, descrita pelos especialistas como uma sensação de aperto ou pressão. Esse desconforto pode irradiar para braços, ombros, pescoço ou mandíbula.

Deise Marçal explica que outros sintomas também podem surgir durante o episódio. “O paciente também pode apresentar cansaço e até dor no estômago”, destaca.

Denis Moulin acrescenta que há outros sinais que precisam ser observados. “Dor ou desconforto intenso no peito, falta de ar, suor frio, palidez, náuseas, vômitos ou sensação de desmaio estão entre os principais sintomas. Se persistirem por mais de 15 a 20 minutos, é essencial buscar ajuda médica imediatamente”, orienta.

Diagnóstico rápido

Diante da suspeita de infarto, a avaliação precisa ser imediata. O diagnóstico inicial é feito a partir da análise clínica associada a exames específicos.

Moulin explica que a investigação começa com o histórico do paciente e exames básicos. “Ele é feito inicialmente pela história clínica do paciente, pelo eletrocardiograma e pelos exames de sangue que dosam enzimas cardíacas, como a troponina”, afirma.

Deise Marçal ressalta que esses exames ajudam a confirmar a suspeita, mas a identificação exata da artéria obstruída ocorre por meio do cateterismo cardíaco.

Tratamento imediato

No infarto, cada minuto conta. Quanto mais rápido o fluxo sanguíneo é restabelecido, menores são os riscos de sequelas ou morte.

Segundo Deise Marçal, o tratamento mais eficaz é desobstruir a artéria por meio do cateterismo cardíaco. “O melhor tratamento é abrir a artéria que está entupida por meio do cateterismo cardíaco”, explica.

Durante o procedimento, um cateter é introduzido até o local da obstrução para realizar a angioplastia e, na maioria dos casos, implantar um stent, pequena malha metálica que mantém a artéria aberta.

Denis Moulin explica que o tratamento inclui medicamentos e intervenção imediata. “Na fase aguda, utilizamos medicações como antiagregantes plaquetários, vasodilatadores, analgésicos e trombolíticos. A angioplastia coronária com colocação de stent é o principal procedimento para restabelecer o fluxo sanguíneo. Quanto mais rápido for feito esse desentupimento, menor a chance de sequelas e risco de vida”, afirma.

Deise Marçal alerta que o tempo é decisivo para o desfecho do paciente. “O infarto não tem cura. A parte do músculo que morreu não pode ser recuperada, por isso a rapidez no tratamento é fundamental”, destaca.

Quando o acesso imediato ao cateterismo não está disponível, podem ser utilizados trombolíticos, medicamentos capazes de dissolver o coágulo que bloqueia a artéria.

Fatores de risco e prevenção

Hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade, sedentarismo, tabagismo, estresse e histórico familiar estão entre os principais fatores de risco associados ao infarto.

Denis Moulin afirma que reconhecer os sintomas e agir rapidamente pode salvar vidas. “O infarto é uma condição grave que pode acontecer a qualquer momento. Reconhecer os sintomas e buscar ajuda médica são atitudes que salvam vidas. Mas a prevenção é o melhor caminho para um coração saudável”, afirma.

Manter alimentação equilibrada, praticar atividade física, controlar o peso, evitar o cigarro, reduzir o estresse e acompanhar regularmente os níveis de colesterol são medidas recomendadas para diminuir o risco e proteger a saúde do coração.

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