Divórcio cinza: pessoas acima dos 50 anos são as que mais se separam
Escrito por Rodrigo Gonçalves
31 de agosto de 2025
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Divórcio cinza cresce no Brasil, impulsionado por maior longevidade, autonomia feminina e mudanças nos valores sociais. Foto: Freepik
O divórcio no Brasil vem mudando de perfil. Nos últimos anos, aumentou significativamente a taxa de separações entre pessoas com 50 anos ou mais, fenômeno conhecido como “divórcio cinza”. Dados do IBGE apontam que cerca de 30% dos divórcios recentes envolveram pessoas nessa faixa etária, um salto em relação aos menos de 10% registrados em 2010.
Para a psicóloga e psicanalista Mariana Weigert de Azevedo, esse aumento não é surpreendente. “Com a maior longevidade, as pessoas passam a avaliar melhor suas relações. O casamento deixa de ser visto apenas como obrigação e se torna um espaço em que a satisfação emocional passa a ter peso central”, afirma Mariana.
Outro fator que contribui é a independência financeira feminina. “Mulheres com estabilidade econômica e filhos adultos têm mais liberdade para tomar decisões que promovam seu bem-estar, inclusive se separar. Isso não significa fracasso, mas coragem de buscar uma vida mais autêntica”, explica a especialista.
A busca por realização pessoal também impulsiona o divórcio nessa fase. Segundo Mariana, “após décadas de casamento, muitas pessoas percebem que sonhos e projetos foram adiados. O divórcio pode representar a chance de se reconectar consigo mesmas, investir em autoconhecimento e explorar novos caminhos”.
A mudança nos valores sociais também é relevante. O divórcio deixou de ser um tabu e passou a ser encarado como uma alternativa legítima para casamentos infelizes. “Hoje, separar-se não é estigma, é uma decisão que busca preservar a saúde emocional e o respeito aos próprios limites”, ressalta Mariana.
Apesar do potencial de novos começos, o divórcio cinza exige planejamento jurídico e financeiro cuidadoso, incluindo partilha de bens, pensão e sucessão. “É um momento que pede atenção e acompanhamento, mas também pode ser transformador se vivido com consciência e responsabilidade”, conclui Mariana Weigert de Azevedo.