Com safra maior, café pode ficar mais barato ainda em 2025
Escrito por Larissa de Angelo
27 de junho de 2025
às
Compartilhe
Café acumulou mais de 80% na inflação nos últimos 12 meses. Foto: Freepik
O café ainda pesa no bolso, mas há sinais de que o alívio pode estar próximo. Com a colheita em ritmo forte no Brasil e uma safra mais favorável no Sudeste Asiático, os preços no campo começaram a cair. Se não houver novos problemas climáticos, o movimento deve chegar ao consumidor até o fim do ano.
Em junho, o café moído foi o segundo item que mais influenciou a inflação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 12 meses, o aumento acumulado é de 81,6%. Ainda assim, a inflação do café vem perdendo força desde março, o que indica uma possível mudança no mercado.
A cotação do café arábica, o mais consumido no Brasil, caiu 17% desde fevereiro. Esse recuo sinaliza o começo de uma queda nos preços pagos aos produtores. A expectativa é que o preço da saca continue diminuindo com o avanço da colheita, que vai até setembro.
Repasse será lento
Por outro lado, o impacto no varejo será lento. O café passa por várias etapas entre a colheita e o mercado: secagem, beneficiamento, torrefação e distribuição. Isso costuma levar semanas, o que traz uma demora para o repasse ao consumidor final.
Apesar da demora, analistas acreditam que a queda chegará ainda neste ano. Em um prazo de até 90 dias, os efeitos da nova safra devem começar a ser sentidos nas prateleiras. No entanto, os preços só devem cair com mais força a partir de 2026, quando é esperada uma safra maior no Brasil.
O recuo atual também é impulsionado por fatores externos. Países como Vietnã e Indonésia devem ter colheitas melhores neste ano. Além disso, o consumo doméstico de café caiu, reflexo do próprio encarecimento do produto.
A produção de café robusta no Brasil deve crescer 28%, de acordo com estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Esse avanço ajuda a aumentar a oferta e a conter os preços. Já o arábica, afetado pela seca, deve ter queda de 6,6%. Ainda assim, o volume total será suficiente para reequilibrar o mercado.
Os preços dispararam no início de 2025 por uma combinação de fatores. O Brasil exportou acima do normal, os estoques caíram, e a tensão no Oriente Médio afetou a logística global. Com rotas bloqueadas, a Europa comprou mais do Brasil, elevando os preços no mercado interno.
Além disso, empresas anteciparam importações por receio de uma nova lei europeia contra o desmatamento. Embora a regra tenha sido adiada para 2025, a incerteza já havia provocado uma corrida às compras. Com os preços futuros abaixo dos atuais, a indústria reduziu os estoques para evitar perdas.
Com o mercado se ajustando, a perspectiva é de queda nos preços ao consumidor. No entanto, isso vai acontecer aos poucos. O café ainda será caro em 2025 mas a partir do segundo semestre, o consumidor pode sentir algum alívio na xícara.