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Como melhorar a comunicação entre tutor e cão no dia a dia?

Especialista em comportamento canino explica como energia, rotina e coerência influenciam diretamente o comportamento dos cães

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Foto: Freepik

Latidos excessivos, ansiedade, destruição de objetos e dificuldade em obedecer comandos costumam ser interpretados como “desobediência”. Mas, na maioria das vezes, esses comportamentos podem indicar falhas na comunicação entre tutor e animal. Ao contrário dos humanos, os cães não se comunicam por palavras, mas por energia, gestos, rotina e emoção.

Segundo André Cavalieri, especialista em comportamento canino e sócio-fundador da Dog Corner, compreender a chamada “língua do cão” pode transformar a relação dentro de casa.

“Antes de ensinar comandos, é preciso alinhar intenção, emoção e ação. O cão lê o mundo pelo comportamento do tutor, não pelo que ele fala”, afirma o especialista.

A seguir, confira orientações práticas para fortalecer a comunicação com o pet no dia a dia.

Comunicação começa antes da palavra

De acordo com Cavalieri, os cães são altamente sensíveis ao estado emocional humano. Ansiedade, irritação ou agressividade podem influenciar diretamente o comportamento do animal.

“O tutor ansioso tende a gerar um cão ansioso. Já um tutor agressivo pode estimular respostas agressivas ou extremamente medrosas. Tom de voz, postura corporal e energia impactam muito mais do que o discurso”, explica.

A recomendação é que o tutor observe primeiro o próprio estado emocional antes de exigir qualquer comando.

Coerência e previsibilidade trazem segurança

Permitir que o cão suba no sofá em um dia e proibir no outro, por exemplo, pode gerar confusão e ansiedade. Segundo o especialista, regras claras e consistentes são fundamentais.

“Amar não é permitir tudo. É oferecer limites simples e constantes. A previsibilidade reduz a ansiedade e melhora o comportamento”, destaca.

A repetição e a constância ajudam o animal a compreender o que se espera dele.

O silêncio também comunica

Outro erro comum é o excesso de fala. Repetir diversas vezes a palavra “não” pode gerar ruído em vez de clareza.

“Um olhar firme, uma pausa consciente ou um redirecionamento corporal bem feito comunicam muito mais do que falar demais. Serenidade é uma das mensagens mais importantes que o tutor pode transmitir”, afirma Cavalieri.

Rotina como linguagem emocional

Para os cães, a rotina funciona como uma forma de segurança emocional. Horários definidos para passeio, alimentação, descanso e interação ajudam o animal a entender o ambiente em que vive.

“Quando o mundo se torna previsível, a ansiedade diminui. Um cão relaxado aprende melhor e apresenta menos comportamentos destrutivos”, ressalta.

Gasto de energia é necessidade básica

Passeios regulares, estímulos mentais e enriquecimento ambiental não devem ser vistos como luxo, mas como necessidades essenciais.

“Nenhuma comunicação funciona se o cão está com energia acumulada. Um animal que não explora o mundo tende a ficar estressado, ansioso e até deprimido, o que bloqueia o aprendizado”, analisa.

Ouvir mais, falar menos

Além de orientar, o tutor também precisa aprender a observar. Bocejos frequentes, desvio de olhar, postura corporal retraída, respiração acelerada e movimentos bruscos são formas de comunicação.

“Ignorar esses sinais é como fingir que não entende alguém que pede ajuda em outra língua”, compara o especialista.

Para André Cavalieri, quando há clareza e respeito na comunicação, o comportamento melhora de forma natural.

“Quando o tutor aprende a observar, respeitar e se comunicar de forma clara, o comportamento melhora naturalmente. Comunicação não é controle, é conexão”, conclui.