Praia em Vitória

Cesan e prefeitura travam queda-de-braço por mancha na Guarderia

A Cesan afirmou que a contaminação não tem relação com o sistema de esgoto operado pela companhia

WhatsApp Image 2026-03-05 at 16.45.38
Uma mancha escura preocupou banhistas na praia da Guarderia, em Vitória. Foto: Divulgação

Uma mancha escura registrada no mar na região das praias da Ilha do Frade e da Guarderia, em Vitória, virou motivo de troca de acusações entre a Prefeitura de Vitória e a Cesan (Companhia Espírito-santense de Saneamento). O problema, que vem sendo observado por moradores e frequentadores da área, também motivou a abertura de apuração pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES).

Em nota, a Cesan afirmou que a contaminação não tem relação com o sistema de esgotamento sanitário operado pela companhia. Segundo a empresa, a rede de coleta e tratamento de esgoto que atende a região funciona normalmente e não há lançamento de esgoto sanitário no local.

A companhia atribuiu a origem da mancha à rede de drenagem pluvial, que é de responsabilidade da prefeitura. De acordo com a Cesan, essa rede é destinada exclusivamente ao escoamento da água da chuva, mas acaba levando resíduos acumulados nas ruas, como fezes e urina de animais, matéria orgânica em decomposição e outros contaminantes, que são despejados diretamente no mar.

Ainda segundo a Cesan, em 19 de dezembro de 2025, a companhia notificou oficialmente o município sobre o risco de extravasamento da rede de drenagem pluvial. O alerta teria sido motivado por falhas em uma obra realizada pela Prefeitura de Vitória na Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (EBAP) da Praia do Canto.

A empresa também ressaltou que todas as redes de esgoto operadas pela companhia são subterrâneas e não possuem estruturas expostas em praias ou áreas públicas. Por isso, qualquer tubulação lançando água com aspecto ou odor de esgoto nas praias seria proveniente do sistema de drenagem pluvial, cuja gestão cabe aos municípios.

A Cesan destacou ainda que, no Brasil, o sistema de drenagem de águas pluviais normalmente não recebe tratamento. Dessa forma, a água da chuva que percorre as ruas das cidades acaba carregando lixo e outros resíduos até rios, lagoas e praias.

Segundo a companhia, é esse fluxo de água da drenagem pluvial que chega ao mar por meio de uma manilha localizada na Praia da Guarderia, provocando a mancha escura e contribuindo para a poluição do trecho.

Ministério Público pede explicações

Diante da repercussão do caso, o Ministério Público do Espírito Santo enviou ofícios à Prefeitura de Vitória, à Cesan e à Agência de Regulação de Serviços Públicos (Arsp) solicitando informações e providências sobre a situação.

A mancha escura, acompanhada de mau cheiro, tem preocupado moradores e banhistas que frequentam a região. O pedido de esclarecimentos foi assinado pelo promotor de Justiça Marcelo Lemos após reportagem publicada pela imprensa local.

Os órgãos têm prazo de 15 dias úteis, a partir desta quinta-feira (5), para responder ao Ministério Público. No documento, o promotor destaca que as informações solicitadas poderão subsidiar eventual requisição de instauração de inquérito policial para investigar o caso.

O que diz a prefeitura de Vitória

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam) divulgou o novo boletim de balneabilidade, confirmando que as principais áreas de atenção do litoral da capital estão próprias para banho. A população pode frequentar as praias com tranquilidade, especialmente nos trechos tradicionalmente mais procurados, como nas imediações do Iate Clube, da Guarderia e da Curva da Jurema, além do lado oposto, na Ilha do Frade — todos com qualidade de água adequada.

O resultado, disponível no link é válido até o próximo dia 12 (quinta-feira).

O monitoramento é realizado de forma contínua pela equipe técnica ambiental, que acompanha rigorosamente os indicadores de qualidade da água. As análises seguem critérios técnicos e parâmetros estabelecidos pelos órgãos ambientais, garantindo que os níveis estejam dentro dos padrões exigidos para uso recreativo. Os resultados são divulgados de forma transparente, assegurando informação clara à população e mantendo a qualidade ambiental das áreas costeiras.

Desde o primeiro registro do fenômeno, equipes técnicas realizam monitoramento da área, com coletas de amostras, análises laboratoriais e acompanhamento da balneabilidade.

A Semmam também mantém interlocução com órgãos e instituições responsáveis por obras e sistemas de saneamento na capital, além de especialistas da área ambiental, com o objetivo de reunir elementos técnicos que permitam compreender a origem e a natureza da alteração observada.

Entre os fatores avaliados, estão também condições ambientais, como o regime de chuvas, as altas temperaturas e a dinâmica do manguezal de Vitória.