Susto
Eclipse
Às vésperas do eclipse desta terça-feira (3), mensagens nas redes sociais passaram a falar em um suposto “apagão global”
Escrito por Redação em 02 de março de 2026
Às vésperas do eclipse desta terça-feira (3), mensagens nas redes sociais passaram a falar em um suposto “apagão global”. A expressão sugere que o fenômeno astronômico poderia provocar falta de energia elétrica em larga escala ou afetar sistemas tecnológicos no mundo inteiro. No entanto, não há qualquer comunicado oficial que sustente essa informação.
O eclipse é um evento previsto com antecedência por astrônomos e não tem relação com interrupções no fornecimento de energia. Ainda assim, o termo ganhou força em vídeos e publicações alarmistas, principalmente em plataformas digitais e aplicativos de mensagens.
Não existe um anúncio formal de instituições científicas usando a expressão “apagão global” para o eclipse desta semana. Agências como a Nasa e o Observatório Nacional divulgaram apenas informações técnicas sobre o fenômeno, como horário e visibilidade.
A narrativa do apagão começou a circular em conteúdos publicados por perfis anônimos e canais sensacionalistas. Em muitos casos, o escurecimento temporário do céu durante o eclipse foi descrito de forma exagerada, como se pudesse comprometer redes elétricas ou sistemas de comunicação.
Especialistas explicam que isso não faz sentido do ponto de vista científico. Um eclipse ocorre quando há alinhamento entre Sol, Terra e Lua. No caso do eclipse lunar, a Terra projeta sombra sobre a Lua. Nenhuma dessas situações interfere na geração ou distribuição de energia.
O diretor técnico-científico do Planetário de Vitória, Prof. Dr. Sérgio M. Bisch, esclareceu que o fenômeno não poderá ser observado no Espírito Santo.
“Esse eclipse lunar não será visível no Espírito Santo. No Brasil, apenas regiões bem a oeste, como no Amazonas ou Acre poderão ver apenas o início do eclipse, quando a Lua começa a penetrar na sombra da Terra. Portanto, nem o Planetário de Vitória, nem o Observatório Astronômico da UFES tem qualquer programação relativa a ele.
As regiões do planeta de onde esse eclipse será bem visível serão regiões situadas no Oceano Pacífico, na Austrália, Ásia e América do Norte.”
Segundo o especialista, a visibilidade no Brasil será extremamente limitada. Estados do Norte e parte da região amazônica poderão acompanhar apenas o começo do fenômeno, ainda assim de forma parcial.
Eclipses fazem parte da dinâmica orbital do sistema solar e são calculados com anos de antecedência. Portanto, não se trata de um evento inesperado ou capaz de provocar efeitos estruturais.
Mesmo em países onde a matriz energética depende fortemente de energia solar, as operadoras conseguem prever a redução temporária da luminosidade e ajustar a oferta. Esse tipo de variação já é estudado e administrado tecnicamente, sem risco de colapso.
Além disso, não houve comunicado de órgãos do setor elétrico no Brasil ou no exterior alertando para qualquer risco de interrupção por causa do eclipse.
Assim, o chamado “apagão global” não passa de um termo criado e impulsionado nas redes sociais, sem base científica ou respaldo de autoridades do setor.