"foi horrível"
SAÚDE
A agência destaca que os casos se referem a notificações suspeitas que ainda não foram comprovadas e alerta que o uso de canetas emagrecedoras sem acompanhamento médico aumenta os riscos à saúde
Escrito por Agência Brasil em 10 de fevereiro de 2026
A Anvisa emitiu mais um alerta para o uso dos medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”. A agência reforçou este mês a orientação de que esses remédios devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações da bula e sob prescrição e acompanhamento médico.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, existe o risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, podendo causar necrose e até levar à morte.
O uso indevido das “canetas emagrecedoras”, especialmente para emagrecimento, sem indicação médica, aumenta o risco desse tipo de problema.
Entre 2020 e o ano passado, foram 145 notificações de suspeitas de eventos adversos, relacionados aos princípios ativos do medicamento e a diversos tipos de pancreatite.
A agência destacou que os casos se referem a notificações suspeitas que ainda não foram comprovadas.
Os registros crescem a cada ano, saltando de 28 casos em 2024 para 45 no resultado parcial do ano passado. Do total de notificações, seis foram reportadas com desfecho de óbito.
Consideradas as notificações coletadas em pesquisa clínica, o número chega 225 notificações de eventos adversos.
Esse é um problema mundial. Dados publicados no final de janeiro, pela Agência Reguladora de Medicamentos do Reino Unido, mostram que, entre 2007 e outubro de 2025, a agência recebeu quase 1,3 mil notificações de pancreatite, incluindo 19 mortes, de pessoas que estavam tomando medicamentos semelhantes.
Em 2024, a Anvisa já havia alertado que o uso desse tipo de medicamento, associado à anestesia ou sedação profunda pode aumentar o risco de pneumonia.
No ano passado, também foi emitido um alerta informando que a semaglutida, um desses medicamentos injetáveis, pode causar, em alguns casos, perda de visão irreversível.
Por isso, desde junho, entrou em vigor a Resolução e a Instrução Normativa estabelecendo que esses medicamentos só podem ser vendidos mediante a retenção de receita médica.
Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, de acordo com as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula.