Dia a Dia

Antígenos e canudos: veja o que já existe para identificar metanol na bebida

No Espírito Santo, são três casos de contaminação com metanol sendo investigados. Foto: Agência Brasil.
No Espírito Santo, são três casos de contaminação com metanol sendo investigados. Foto: Agência Brasil.
No Espírito Santo, são três casos de contaminação com metanol sendo investigados. Foto: Agência Brasil.

No Espírito Santo, são três casos de contaminação com metanol sendo investigados. Foto: Agência Brasil.

O aumento dos casos de intoxicação por metanol reacendeu o alerta sobre os riscos das bebidas adulteradas. O Ministério da Saúde confirmou, nesta sexta-feira (4), 113 registros de contaminação, sendo 11 casos confirmados e outros 102 em investigação. O problema é grave porque o metanol não altera o cheiro nem o sabor da bebida e sua presença só pode ser confirmada por testes laboratoriais. No Espírito Santo, três casos estão sendo investigados.

Entre os centros que vêm atuando no enfrentamento à crise está o Laboratório Multiusuário de Ressonância Magnética Nuclear da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O espaço foi aberto ao público e realiza gratuitamente análises de bebidas alcoólicas mediante agendamento.

Segundo o professor Kahlil Salome, vice-coordenador do laboratório, a análise é semelhante a exames médicos: “Colocamos o líquido em um tubo e o equipamento devolve um gráfico com as linhas químicas. Uma delas indica a presença de metanol”. O processo leva apenas cinco minutos e requer 0,5 mililitro de amostra.

O método permite identificar até 10 microlitros de metanol por 100 ml de bebida, volume considerado tóxico. A tecnologia, desenvolvida em universidades públicas, mostra como a ciência pode oferecer respostas rápidas à sociedade em situações emergenciais.

Métodos inovadores e patenteados

Outra frente de pesquisa vem da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Araraquara. Em 2022, pesquisadores do Instituto de Química criaram um método patenteado pelo Inpi capaz de identificar adulterações em bebidas destiladas. A técnica consiste em adicionar um sal que, na presença de metanol, transforma a amostra em formol. Um ácido é então adicionado, provocando mudança de cor. O processo leva cerca de 15 minutos e já está em fase de ampliação.

Tecnologia acessível: o canudo que muda de cor

Na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), docentes desenvolveram duas formas inovadoras de detecção: um canudo sensível ao metanol e um laser infravermelho. O canudo, impregnado com reagentes químicos, muda de cor ao entrar em contato com a substância tóxica. A pró-reitora de pós-graduação da UEPB, Nadja Oliveira, explica que o objetivo é oferecer ao consumidor um meio de segurança simples e barato.

A proposta foi apresentada ao ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em reunião organizada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Segundo a UEPB, o custo estimado do canudo é de R$ 15, o que pode tornar a solução viável para uso em bares, eventos e até em casa.

Antígenos e reagentes contra metanol: kits que identificam o perigo

A Universidade de Brasília (UnB) também atua na detecção da substância desde 2013, quando o químico Arilson Onésio Ferreira desenvolveu reagentes para testes rápidos, tecnologia que originou a empresa Macofren. O kit de detecção custa em torno de R$ 50, e cada teste sai por R$ 25. Basta 1 ml da amostra para identificar a contaminação.

Segundo Ferreira, a demanda disparou nas últimas semanas — com mais de 200 empresas na fila de espera. O pesquisador alerta: “O teste nunca pode apresentar falso negativo. Mesmo pequenas quantidades de metanol podem ser letais”.

Ministério da Saúde reforça resposta à crise

Para os casos de intoxicação, o Ministério da Saúde anunciou a compra de 2.500 doses do antídoto fomepizol, produzido no Japão. O medicamento deve chegar ao país na próxima semana. Além disso, mais 12 mil ampolas de etanol farmacêutico foram adquiridas para reforçar o tratamento em todo o território nacional.

De acordo com o ministro Alexandre Padilha, o Brasil possui 609 farmácias de manipulação aptas a produzir o etanol farmacêutico, já disponível no SUS mediante recomendação médica. A orientação para a população é evitar bebidas de procedência duvidosa, especialmente destilados com tampas de rosca, e que comerciantes se atentem à origem e aos lacres de segurança.

*Com informações da Agência Brasil e Correio Brasiliense