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expedição ecológica
Grupo planeja uma expedição entre maio e junho para avaliar a situação do rio quase 10 anos após o desastre de Mariana
Escrito por Redação em 16 de fevereiro de 2026
Ambientalistas do movimento internacional River Planet estão organizando uma nova Descida Ecológica do Rio Doce, prevista para acontecer entre os dias 4 de maio e 5 de junho. A última vez que o rio foi percorrido em toda a sua extensão em uma expedição desse tipo foi em 1998.
Desta vez, além do trajeto tradicional pelo Rio Doce, o grupo também pretende descer o Rio do Carmo, um dos principais formadores da bacia, partindo de Mariana, em Minas Gerais.
A ideia do grupo é manter viva a memória do rompimento da barragem de rejeitos da Samarco, ocorrido em novembro de 2015, em Mariana. O desastre é considerado o maior da história ambiental do país e provocou uma contaminação sem precedentes em toda a bacia do Rio Doce.
Segundo os organizadores, a expedição busca chamar atenção para a necessidade de recuperação ambiental e fortalecimento das políticas de proteção dos recursos hídricos.
O mesmo grupo realizou, entre agosto e setembro de 2025, a 2ª Descida Ecológica do Rio Sena, na França. A travessia de caiaque durou mais de 20 dias e teve como foco conhecer de perto as estratégias adotadas na recuperação do rio francês.
Durante a expedição, os ambientalistas observaram soluções ligadas ao tratamento de esgoto, gestão de resíduos sólidos e sistemas de drenagem urbana — medidas consideradas fundamentais para a revitalização de bacias hidrográficas.
Em reunião realizada na Assembleia Legislativa na última semana, o ambientalista Fabio Medeiros destacou as diferenças encontradas.
“Nós encontramos um rio vivo e muito bem cuidado e usado pela população. É claro que nós encontramos problemas. Encontramos lixo… Mas não se compara com o que vemos nos rios do Brasil. É um rio que é visto e cuidado como uma opção de lazer para os habitantes”, afirmou.
O ambientalista Alberto Pêgo também participou da apresentação e afirmou que, em comparação com a última descida realizada no Rio Sena, em 2013, houve melhora na qualidade ambiental.
Segundo ele, embora a legislação francesa de recursos hídricos, criada em 1964, tenha inspirado a brasileira de 1997, os resultados práticos na França são mais efetivos.
“A legislação francesa de recursos hídricos, de 1964, inspirou a brasileira, criada em 1997, mas os resultados práticos obtidos na França são mais consistentes. E nós encontramos um rio que é bem cuidado e bem usado pela população. Além disso, eles têm um sistema de drenagem para armazenamento de água que ajuda muito a região em períodos de seca. É possível investir em recursos similares no estado”, disse.
Pêgo ressaltou ainda que a expedição internacional foi viabilizada com recursos privados.
A reunião na Assembleia contou com a presença do diretor-presidente da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh), Fábio Ahnert, e do secretário em exercício da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seamma), Vitor Ricciardi.
A expectativa é que a nova Descida Ecológica do Rio Doce ajude a ampliar o debate sobre recuperação ambiental, fortalecer políticas públicas e mobilizar a sociedade para a preservação dos rios capixabas.