Aluno com Down dança em vídeo no ES e emociona milhões
Escrito por Rodrigo Gonçalves
25 de abril de 2025
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Dança de João em sala vira exemplo de inclusão escolar. Foto: Reprodução
Em uma sala da EEEFM São João Batista, em Cariacica Sede, uma aula sobre sujeitos de uma frase se transformou em uma ação de inclusão. No vídeo, a pergunta escrita na lousa — “O João está dançando. Onde está o sujeito da frase?” — é respondida de forma criativa com a aparição de João Victor Muniz de Oliveira, 17 anos, que tem Síndrome de Down. Ele surge dançando entre os colegas.
A publicação já ultrapassou 6,7 milhões de visualizações, com 974 mil curtidas e mais de 3,1 mil comentários no Instagram. A gravação é parte de um perfil criado e administrado pelos próprios alunos do 3º ano do ensino médio da escola. A página, que começou em 2023 com vídeos de humor e tendências, passou a abordar temas sociais e educativos. Um dos destaques foi o projeto contra o racismo e o bullying, que incluiu até uma entrevista com a ativista e professora Darlete Gomes.
O conteúdo, segundo a estudante Emilly Giovanna Costa Oliveira, 17 anos, tem o objetivo de mostrar que a escola pública é um espaço de vivência, troca e superação. A ideia, segundo ela, nunca foi buscar fama, mas inspirar outros jovens. “Mesmo com seus problemas, a escola ainda é um lugar excepcional”, comenta.
A direção da escola acompanha de perto as postagens e reconhece o impacto da iniciativa. A diretora Jussara Morelato Demuner afirma que os vídeos gravados dentro do ambiente escolar seguem um planejamento e reforçam o compromisso com práticas inclusivas. A participação de servidores em algumas postagens é incentivada como forma de estreitar os laços entre professores e estudantes.
No caso do João, a proposta foi acolhida com entusiasmo pelos colegas, que estudam com ele há mais de três anos. A diretora explica que o planejamento das atividades leva em conta a participação de todos e que o ambiente entre os alunos é marcado por respeito e afeto. A gravação da dança, destaca, deu visibilidade à inclusão de forma espontânea e respeitosa. “Mostramos na prática que todos têm lugar, voz e valor na escola”, pontua.
A mãe de João, Ardilene Coitinho Muniz, se emocionou ao ver a repercussão do vídeo. “Me senti muito feliz por saber que tem gente que se importa com ele”, disse. Para ela, a acolhida dos colegas e o carinho demonstrado nos comentários ajudam a quebrar estigmas. “Essa visibilidade mostra que a inclusão está avançando e que há espaço para todos.”
Apesar da proibição do uso de celulares nas escolas públicas por lei federal, a EEEFM São João Batista busca uma abordagem educativa. O uso dos aparelhos é liberado em momentos específicos, como gravações orientadas, pesquisas ou registros pedagógicos. A escola também disponibiliza equipamentos com acesso à internet, garantindo a participação de todos, mesmo daqueles que não possuem celulares.
A diretora afirma que as redes sociais, quando bem utilizadas, podem fortalecer a autoestima, desenvolver pensamento crítico e promover valores como empatia, cultura e responsabilidade. A escola promove rodas de conversa e mantém diálogo constante com os líderes de turma sobre o uso consciente da tecnologia.
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