O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter a prisão preventiva do desembargador capixaba Macário Ramos Júdice Neto. Ele foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) sob suspeita de repassar informações sigilosas sobre operações policiais ao Comando Vermelho.
Na mesma decisão, o ministro determinou a notificação de outros quatro denunciados por suposta obstrução de investigação ligada ao vazamento dessas informações. Entre eles estão o deputado estadual do Rio de Janeiro Rodrigo Bacellar e o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias.
Também foram citados na denúncia Jéssica de Oliveira Santos e Thárcio Nascimento Salgado. Todos terão prazo de 15 dias para apresentar defesa prévia. Após essa etapa, o STF vai decidir se aceita ou não a denúncia. Caso seja recebida, os investigados passam à condição de réus.
Moraes ainda manteve medidas cautelares contra alguns dos denunciados e determinou que o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) seja comunicado para eventual apuração disciplinar envolvendo Bacellar.
De acordo com a PGR, Macário Júdice Neto teria violado o sigilo funcional ao compartilhar dados sobre operações policiais em andamento. As informações teriam sido usadas para alertar investigados, comprometendo ações das autoridades.
A investigação cita, entre outros episódios, a Operação Zargun, realizada em 2025, que tinha como alvo o ex-deputado TH Joias. Segundo a denúncia, Rodrigo Bacellar teria avisado o ex-parlamentar com antecedência, permitindo a retirada de computadores e outros materiais do gabinete na Alerj.
Após a apresentação das defesas, caberá ao Supremo decidir se a denúncia será aceita ou rejeitada.
A denúncia
A Procuradoria-Geral da República acusa os envolvidos de obstrução de investigação relacionada ao vazamento de informações sigilosas para o Comando Vermelho. A apuração aponta possível articulação para beneficiar investigados e dificultar ações policiais.
O que diz a defesa
Em nota, a defesa do desembargador Macário Júdice afirmou que o ministro Alexandre de Moraes foi induzido a erro ao decretar a prisão. Segundo os advogados, não foi disponibilizada cópia da decisão, o que teria prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa.



