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Saúde
No Dia mundial da audição (03.03), especialista explica como o uso inadequado de fones pode causar danos irreversíveis e dá orientações para prevenção.
Escrito por Redação em 03 de março de 2026
O uso de fones de ouvido por longos períodos, muitas vezes em volume elevado, tem acendido um alerta entre especialistas em saúde auditiva. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), até 2050 cerca de 2,5 bilhões de pessoas poderão apresentar algum grau de deficiência auditiva, e mais de 700 milhões precisarão de reabilitação. O dado se torna ainda mais preocupante quando se observa a população jovem. A própria OMS estima que mais de 1 bilhão de jovens estejam em risco de desenvolver perda auditiva devido à exposição prolongada a sons altos, especialmente pelo uso frequente de fones de ouvido, um hábito cada vez mais presente na rotina digital.
Para reduzir os riscos, protocolos internacionais recomendam não ultrapassar 80 decibéis (dB) por mais de duas horas diárias, além de realizar pausas a cada 30 minutos de uso contínuo. O problema é que muitos usuários desconhecem esses limites ou não percebem quando os ultrapassam.
A perda auditiva induzida por ruído é silenciosa e progressiva. Sem causar dor imediata, pode se instalar aos poucos e só ser percebida quando surgem sinais como dificuldade para compreender conversas, necessidade de aumentar constantemente o volume da TV ou presença de zumbido, momento em que o dano já pode estar instalado.
Segundo o professor de otorrinolaringologia Dr. Alexandre Martins, da Afya Centro Universitário Itaperuna, o principal risco está na combinação entre intensidade e tempo de exposição. Sons elevados por períodos prolongados podem danificar de forma irreversível as células ciliadas do ouvido interno, que não se regeneram. “Em ambientes barulhentos, como transporte público ou academias, é comum elevar o volume acima de 90 ou até 100 decibéis, níveis capazes de causar lesões em poucos minutos. Além da perda auditiva, o uso inadequado de fones pode provocar zumbido, sensação de ouvido abafado e dificuldade de concentração, especialmente entre jovens, que costumam utilizar esses dispositivos por várias horas ao dia”.
Para o Dr. Alexandre, a prevenção é simples, mas exige conscientização. “Não se trata de demonizar os fones de ouvido, mas de aprender a utilizá-los com segurança. Pequenas mudanças de hábito fazem grande diferença ao longo da vida”, ressalta.
“O cuidado com a audição deve começar cedo. A perda auditiva induzida por ruído é evitável, mas, uma vez instalada, costuma ser permanente”, conclui o especialista.